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terça-feira, 27 de novembro de 2012

coisas minhas


Podemos tirar a rapariga da aldeia mas não tiramos a aldeia da rapariga.  Esta é a minha verdade. Saí da minha aldeia de trás os montes há tanto tempo, que é com espanto que vejo que em mim ainda vive a minha aldeia. E isso vê-se nas coisas mais simples como a forma como faço o meu arroz para acompanhar um simples frango assado. Faço uma calda como a minha mãe me ensinou, retiro do armário o meu alguidar de arroz de barro de bisalhães ( este é o segredo) e depois deito o arroz, por cima a calda, mexe-se e mete-se no forno com a mesma atenção que a minha mãe coloca no seu forno de lenha. E não se mexe mais. Fica dentro a secar e a cozer e retira-se para nos dar um sabor único. Sem presunções, nem manias, nunca comi um arroz como este a não ser em casa da minha mãe. Adoro fazer assim, como me ensinaram. E vem-me à memória toda a minha meninice, todos os meus natais e páscoas e dias de festa. Assim, é mais que arroz, é toda uma vida que se senta comigo à mesa. A minha vida dos dias memoráveis.
o princípio

o meio

o princípio do fim
 

2 comentários:

  1. Falta o fim, com uma foto do alguidar vazio :)

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    1. Tem toda a razão El Gato, não falhará numa próxima oportunidade :)

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