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quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Depois de consumir sofrêga o livro:
espero que a harmonia do universo faça com que este
apareça, por magia, à minha porta.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Vou ali suicidar-me e já venho

Faltam três dias para o concerto de Leonard Cohen, o meu cantor favorito de sempre. Com ele, possuo um rol de historias e estórias passadas. Com ele escrevi amores e desamores. Com ele viajei no tempo e dentro de mim... isto tudo e muito mais e não posso ir vê-lo. Resta-me o choro compulsivo ao som de I'm your man, Take this Waltz e acabar com Dance me to the end of love.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

O Douro vinhateiro quase a dar o seu fruto

As vindimas estão à porta. Nas ruas, começa uma azáfama concertada. Há no ar a adrenalina de toda uma região nas vésperas das vindimas. Foi todo um ano, todo um esforço único de 12 meses que acabam agora, que é como quem diz, dá seus frutos agora. Há um primor na feitura de um bom vinho que desde sempre me encantou. Não estarei nas vindimas, mas os anos que nelas mergulhei fazem com que, mesmo à distância, sinta o cheiro, o mosto nas mãos, as tesouras imundas, as canções, a alegria de um bacalhau cozido com batatas em plenos socalcos. Talvez por isto, não haja para mim, nenhum vinho melhor que o do Douro (embora tenha de confessar que a tentativa dos meus amigos de me fazerem ver que há bons vinhos no Ribatejo e Alentejo esteja a dar frutos, mas jamais admitirei). Quando bebo vinho do Douro, naquele copo e na minha boca fica o sabor de uma terra, a ternura das minhas gentes, a imensidão de uma paisagem única. « Não desejo ao meu maior inimigo a incapacidade expressiva que se apodera de mim diante de certas paisagens do mundo. Quero e não posso ir mais além dum inibido deslumbramento», escreveu Miguel Torga no seu diário, quando se referia ao Douro.

domingo, 5 de setembro de 2010

velhota, sou velhota


Um médico na TV dizia que sabemos a nossa idade fisica pela elasticidade da nossa coluna. Pois bem, eu sou centenária!

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Estamos sempre à espera de alguém


Cheguei ao restaurante e parei frente à tabuleta que dizia: aguarde que o venham servir. Chegou o moço e perguntou-me:
 - Está à espera de alguém?
E eu respondi:
 - Não.
E ele, indicando-me uma mesa, disse num quase sussurro:
 - Pois, a verdade é que estamos sempre à espera de alguém ou de alguma coisa, sempre.

Bela Adormecida

As férias têm o condão de me tornarem, lentamente, na Bela Adormecida... morena e com mais mamas, mas sem dúvida que me identifico com esta personagem do universo infantil. Adormeço no sofá com relativa rapidez, mesmo que tenha saído da cama há dez minutos. Durmo a sesta e anseio deitar-me cedo. Ao fim de uma semana de descanso, meus olhos estão inchados de tanto estarem fechados. Preciso descobrir um bom livro que remeta meu sono para bem longe. Acho que me vou dedicar ao 'Os olhos amarelos dos crocodilos' a ver se estou de acordo com a critica que o classifica como «impossivel parar de ler».

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Ainda sobre a Sita Valles

Hoje, após ter dormido sobre o assunto, e com as ideias mais alinhadas (demoro o meu tempo, daí o nome deste blog), apetece-me falar (leia-se 'escrever') sobre Sita Valles e a forma como ela viveu a curta mas intensa vida. Mulher bela (creio que isso nem sempre jogou a seu favor), com ideias vincadas sobre o que gostaria para a sociedade em que se inseria sentimos que se fosse largada no meio do mato seria uma Che Guevara. O que a vida dela tem de mais interessante não é, para mim, as suas ideias politicas, ou as suas convicções a roçarem o fanatismo, ou a sua inteligencia acutilante, ou a forma como viveu os seus amores ou a liberdade de que era feita. Para mim, o que a vida dela tem de mais interessante é que espelha a sociedade, os terrores e desamores do poder, a fruta podre de alguma política, os medos de governantes e de como tudo isto, visto à lupa da sua vida, é tudo tão fragil e tudo tão doloroso. Atraves da sua vida, vemos a vida de outros. Atraves da sua força vemos a cobardia de outrem. Sobressai da vida dela o amor de sua mãe, o desfalecimento lento do seu pai e, acima de tudo, o desrespeito pela vida humana, no caso do seu irmão, por governantes angolanos. Na escala de valores, a vida é mais ou menos preciosa dependendo do país onde nos encontramos. E em alguns sitios mata-se assim, num ápice, sem demoras e vai-se para casa jantar sem problema algum. E isto, não se passou na Idade Média. Isto passou-se há 30 anos. Apenas há trinta anos. E após 30 anos, parte desta história continua surda e  muda. Sem respostas. Tenta-se colocar uma pedra sobre o assunto, da mesma forma que se colocou sobre o sitio onde Sita e seu irmão foram fuzilados e enterrados.