Não sei se
alguma vez ouviram o bicho da madeira na sua labuta. É assim um barulho fininho
e quase inaudível, mas que entra no ouvido e permanece. A primeira (e ultima)
vez que ouvi foi há uns largos anos em casa dos meus pais. Estava a ver um
filme algures pela madrugada dentro, sozinha na sala de estar. Deitada no sofá
comecei a ouvir um barulho muito estranho, miudinho e se respirasse fundo a
minha respiração anulava-o. Ao falar com o meu pai no dia seguinte ele disse-me
ser o bicho da madeira que andava no frenesim de ‘comer’ uma madeira que
forrava o teto da sala. Para que serve esta introdução? Ora vamos lá: Ontem,
vinha eu a conduzir pela A1 e comecei a sentir uma dor estranha e fina dentro,
bem dentro, dos meus joelhos. Não era, de todo, insuportável, era apenas chata
e estranha. E parecia que tinha algo a roer-me o menisco, os ossos, a
cartilagem do joelho. Comecei por reduzir o som da música e ficar apenas o
carro a girar sobre o asfalto e eu a quase não respirar a ver se ouvia o bicho
que tinha dentro dos joelhos a roer. Porque pelo que estava a sentir quase
jurava que o deveria ouvir. E parecia a labuta de um bicho da madeira naquele rec-rec-rec constante. Não o ouvi. Apenas
senti e pela primeira vez, entre Torres Novas e o Cartaxo, senti a doença a ‘comer-me’
viva. Não foi doloroso, apenas e unicamente estranho.
segunda-feira, 30 de abril de 2012
sexta-feira, 27 de abril de 2012
O que mudar em mim?
Eis o resultado:
Ora vamos lá recapitular.
Aqui a menina tem como pontos fortes as reações (reajo no
tempo certo e de forma correta. Mas por acaso não concordo. Se assim fosse
ontem tinha mandado um balázio bem no meio dos olhos de um colega que me azucrinou
o tempo todo ), a imagem (tenho uma boa imagem. Também não concordo. Há dias
que saio de casa e mais pareço que vou passear à beira-mar, num sábado de
manhã, ou seja, demasiado descontraída ) e depois sou forte no jogo (sim, que
isto de se estar no campo profissional mais não é que um jogo. Pois, não sei
bem quando devo ou não jogar este jogo de merda).
Pontos fracos aqui da je: Nos papeis (ou seja, não
compreendo bem os meus papeis ou se calhar não tenho o papel certo) e na
Expressão (não sei exprimir-me de forma incisiva. Ou seja reajo bem, mas não me
exprimo corretamente. Começo a ficar confusa). E agora, perguntam-me vocês, o
que devo fazer? Pois, não faço a mínima ideia. Acho que vou almoçar e falar
muito com os/as meus/minhas amigos/as. Vou tentar perceber o que vou querer
comer e porquê? Ser incisiva no pedido. Olhar nos olhos da senhora quando
disser: quero uma laranja descascada. E esta ultima palavra ‘descascada’ dizê-la
com pujança. Ensaiar para quando estiver nas reuniões ou com a minha chefe.
Dir-vos-ei se vislumbrar resultados positivos… ou negativos. quinta-feira, 26 de abril de 2012
As Boas raparigas não sobem na vida ou de como eu estou F#"$%&/
Logo na pagina 11 a Drª Lois P. Frankel inumera des caracteristicas que devemos de ter e se não as temos devemos verificar as que nos fazem falta.
Eis a minha desgraça:
E depois disto vou ali ao lado cometer um breve suicidio e já volto.
Eis a minha desgraça:
E depois disto vou ali ao lado cometer um breve suicidio e já volto.
As boas raparigas não sobem na vida
Fui à bulhosa (não, não vivo lá) tomar um café e tenho a mania de olhar para
ver o que as pessoas que por lá se espalham estão a ler. Sentada num dos sofás
da livraria estava uma senhora com um ar compenetradíssimo a ler um livro com
uns sapatos na capa. Fiz o looping para conseguir ver que livro era. Eis o título:
as boas raparigas não sobem na vida. Como sou boa rapariga fui-lhe perguntar de
onde é que o tirou. Ei-lo nas minhas mãos. E a minha vontade era deixar o
trabalho fazer-se por si só e ir para casa, para a minha varanda, na companhia
de um chá, ler esta preciosidade. Talvez me ajude a perceber porque estagnei há
mais de uma dúzia de anos, logo eu que sou uma boa rapariga.
terça-feira, 24 de abril de 2012
a importancia das coisas
A minha vida, ou melhor, os dias que fazem a minha vida são recheados de
coisas sem grande importância. Posso estar no meio de uma edição de uma
entrevista a alguém super-mega intelectual e estimulante e penso: o que vou
fazer para o jantar? Posso estar numa reunião com a minha chefe a falarmos de
um trabalho super e mega importante e vem-me à cabeça o riso da minha filha na
banheira ontem ao fim do dia. Posso estar a reler um artigo super e mega denso
e penso: amanhã vou colocar os meus brincos azuis. E assim, vou vagueando entre
ondas de grande interesse e coisas do dia-a-dia, como lembrar-me de pedir
azeite aos meus pais, ou comprar mais umas legging ou ainda não me esquecer de
cozer maça reineta para a minha menina. Foco-me no trabalho, mas também desfoco
para coisas comezinhas. Sem mais nem porquê penso que quero fazer um bolo de
chocolate quando chegar a casa e que amanhã vou levar a minha filha à
biblioteca ou ainda que se o tempo estiver bom vou até ao parque infantil. Isto
quando escrevo sobre uma cantora, faço um texto sobre parcerias e tenho de
refazer toda uma revista. O que ganharia se fosse mais focada? Ou o que
perderia? Que importância têm estes fait-divers? Nenhuma ou toda dependendo da
importância que a vida pessoal tem sobre a nossa vida profissional. Eu ainda
não sei, mas estou a pensar nisto enquanto releio uma cronica que tenho de editar.
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Há dias assim (parte II)
Fui fazer uma reportagem sobre a bicicleta Strida. Linda de morrer, leve e muito maneirinha. Como não pensei que fosse andar numa, fui de vestido esvoaçante, botas com uns berloques e muito espirito aventureiro. O moço, depois de me falar da dita achou que eu devia dar uma voltinha para 'ver como é leve e se guia tão bem!' E eu fui. Montei-me em cima de uma e desato a ir em direcção ao sol. Primeiro a P#$% da linda Strida ia-me comendo os berloques das minhas botas e, por fim, o vento que se fazia sentir quase que me colocou o vestido no pescoço. Tudo resolvido com muito nível que aqui a menina tem.
E foram esses contratempos que me impediram de fugir com uma.
Coisa mai'linda.
E foram esses contratempos que me impediram de fugir com uma.
Coisa mai'linda.
Há dias assim...
... fui entrevistar uma cantora da nossa praça. Combinamos encontrarmo-nos na cafetaria da Gulbenkian. Cheguei mais cedo, como é meu apanagio. Cafetaria fechada. Liguei à moça. Ela disse para escolher um café calmo da zona e enviar-lhe um sms. Escolhi um onde apenas gravitava uma empregada. Sentei-me. Mandei a sms. Chegou a cantora e mais umas 20 pessoas, assim de repente. Um barulhão. Começei a pensar que o gravador não apanharia a voz dela. Disse-lhe isso mesmo e ela desatou a gritar para o gravador. Ainda não consegui ouvir a gravação com medo do que possa não ouvir.
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