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segunda-feira, 7 de maio de 2012

Será possivel...

... que um divorcio mostre como uma pessoa é demente depois de andar escondida em perfeita sanidade mental  durante 14 anos?

Ainda o jantar


Vamos lá começar por dizer o que de mais importante ocorreu no jantar: não deu em nada. Aquilo não teve pernas para andar. A começar, uma das moças não foi, ou seja, ficamos reduzidas a uma única possibilidade. E é muito frágil quando assim é porque temos 50% de possibilidades de dar certo e as mesmas de dar errado. E pronto, deu errado. Eu própria não gostei da moça e não fiz nada para promover o encontro. Para além de um corpo escultural era completamente fútil, fútil, fútil. Burra que doía. Vazia que metia dó. Oca que nem sei como não fazia eco.  E podem perguntar-me como me perguntou Xana: ‘mas queres uma tipa para o teu irmão se casar ou para dar umas voltas?’  Sei lá, pode ser só para dar umas voltas, mas não sei que voltas se dá com uma tipa boazuda que quando falamos de política ela não sabe que o Sócrates já não é o primeiro-ministro. Como se dá uma voltas com uma pessoa assim? Como?

sexta-feira, 4 de maio de 2012

É hoje!


Hoje há jantar em casa de um casal amigo. Começamos por dizer que a ideia era juntar a malta (coisa que fizemos há uns parcos 15 dias) porque as saudades são muitas (pois claro) e reu-béu-béu pardais ao ninho. O que só eu e a Xana (a dona da casa onde vai decorrer o jantar) sabemos é que o jantar é para colocar frente a frente, como se a sala da casa dela fosse o campo pequeno, o meu recém-divorciado irmão e duas (sim, duas, há que ter poder de escolha) solteironas amigas da Xana. Temos guardado bem o segredo. Eu só tenho de levar uma sobremesa e o meu irmão, e ela tem de fazer o jantar e colocar em casa as suas amigas. De resto, ninguém mais entende porque não somos só os de costume, porque têm de ir as outras moças ao que a Xana disse, e bem, que a casa é dela e convida quem ela quer. E eu concordo, pois claro. E até coloquei uma máquina de lavar a roupa quase vazia (impensável em mim) com meia dúzia de coisas só para colocar a camisa do meu irmão que mais gosto de lhe ver. E passei-a com preceito e ele olhou-me de lado e estranhou. Estranhou mas nada disse. Vamo-nos lendo de cor. E já agora fui-lhe dizendo como ficava bem nas calças beges que comprou na semana passada. ‘Ah, mas são muito compridas’, ‘ ah, mas eu faço uma bainha’, respondi prontamente. E fiz. Montei a máquina de costura e pela noite dentro fiz uma bainha perfeita, não vá a rapariga ser minhoquinhas com estas merdas. Porque sou eficiente quando meto uma coisa na cabeça e eu quero que ele vá ao jantar lindo e maravilhoso e de preferência que goste de uma das moças e que seja reciproco. Depois, eu também gostava de gostar, mas vou tentar pôr isso para detrás das costas. Mas que lhe fazia bem, fazia, sendo certo que não será um grande amor, porque depois de um grande amor nunca vem outro grande amor… depois de um grande amor vem alguém que nos cure. Apenas isso. Vem uma enfermeira. Mas isso, ah, isso já é muito.


quinta-feira, 3 de maio de 2012

A minha música, o 'meu' Rufus Wainwright

  Deparei-me com as músicas de Rufus Wainwright por causa do Leonard Cohen. Num documentário (brilhante) que se intitula I'm your man, Rufus é um dos artistas que não só canta uma música de Leonard como relata o dia e a forma como conheceu Cohen. Aliás, este documentário foi muito produtivo porque também através dele conheci Antony que já tive o privilégio de o ver no Coliseu. Voltando ao Rufus, gostei logo dele, da voz, dos trejeitos, daquela sexualidade de quem é homossexual e encerra um misto de gaja e gajo, gosto. E gosto das melodias e das letras, ele que nasceu num meio artístico (embora ainda não chegue aos calcanhares do pai) conseguiu mostrar que vale por si só. Seguindo, gosto e como tal quero estar na primeira fila (segunda, vá) do Coliseu para o ouvir e absorver o que um ser humano consegue absorver quando se depara com uma musicalidade que o/a encanta. E só eu sei o quanto a música me pode dar e o quanto me pode restaurar em momentos em que desabo sobre mim mesma. A minha música, carrega as minhas frustrações, as minhas ambições, os meus tumultos, os meus amores, os desamores, a minha criatividade e até a minha incapacidade de criar. É-me fundamental. Por isso, dia 7 de Junho, Rufus aí vou eu.


Era mesmo isto que eu queria se, se, se, se...



Uma Louis Vuitton com as minhas iniciais. Belissima. E dava, na perfeição, com o meu tom de pele.


quarta-feira, 2 de maio de 2012

Falando de coisas preocupantes

aqui

E se ganhasse o euromilhões?

Estava eu à porta do meu local de trabalho quando se aproxima de mim o meu chefe máximo, o top do top, o the big one. Como anda sempre cheio de gente a gravitar à sua volta e vendo-o sozinho disse-lhe:

- Sozinho?

E ele responde:

- Sim, venho de meter o Euro milhões. Tu jogas?

- Não, não jogo.

- Ó rapariga, mas devias.

E eu respondo:

- Não jogo para sorte sua, porque se jogasse e me saísse eu deixava logo o meu posto de trabalho.

E ele, olha para mim, olhos nos olhos e muito sério pergunta:

- Mas porquê? A mim se me saísse continuava a fazer o que faço.

Claro que poderia explicar-lhe que o meu trabalho não é tão estimulante como o dele, que nele ninguém manda e que em mim manda muita gente, que ele chega e tem café grátis e eu tenho de comprar o meu, e tem água e eu venho carregada com litros de agua, e basta-lhe sussurrar que necessita de um chocolate e logo caiem caixas a seus pés, que quando eu acho que tenho uma boa ideia e ele a deita por terra eu não lhe faço o mesmo quando acho ele tem uma ideia em que eu não acredito e etc, etc, etc, mas pensando no livro que ando a ler e que já vos falei nele apenas disse:

- Pensando bem, se calhar não deixava o meu trabalho, até porque gosto do que faço (aqui ele sorriu para mim e depois de uma pausa continuei), mas com tanto dinheiro comprava a minha ascensão e começava a mandar nisto tudo.

Parece-me que nunca vou sair da cepa torta.