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terça-feira, 12 de junho de 2012

Rufus Wainwright no Coliseu ou como se faz alguém feliz

A primeira vez que me deparei com o Rufus foi num documentário sobre Leonard Cohen – I’m your man, que alegremente vive em minha casa.

Ele explica como conheceu o Leonard, naquela primeira vez em que foi a casa da sua amiga (filha de Cohen e hoje a mãe da sua filha) e Leonard tomava café de boxers na cozinha. E com um humor curioso, explicava o choque que é ver alguém que nos habitamos a ver sempre impecavelmente vestido, com os melhores fatos Armani, de cuecas a tomar café. E depois cantava Cohen com aquela voz meio arrastada e tão característica que ele tem. Gostei e fiquei curiosa e fui em busca dele. Nunca mais me desliguei da sua música, do seu balanço e até da sua forma de ser tão curiosa. Ir ao Coliseu vê-lo transformou-se no pico da minha semana. Andava quase a roçar o histerismo. E, não obstante de uma sala com demasiados lugares vazios, ele chegou e desde a primeira música (vamos mais longe) desde o primeiro segundo em que, à capela, ele enche o coliseu com a sua voz, que me arrepiei para nunca mais deixar de o estar, enquanto o concerto durou. E ele foi mágico. Muito cheio de trejeitos maricas, mas que lhe ficam tão bem, cheio de humor (muito mesmo), a coordenar a banda de forma magistral, ele conseguiu fazer-nos felizes. E a dada altura olhava para o lado e via o sorriso na cara das pessoas, os olhos a brilharem e quando se tem dúvidas acerca da importância da cultura na vida das pessoas, a verdade é que em momentos de crise como esta em que atravessamos, em momentos em que temos a vida embrulhada, a musica, a arte, a fotografia, a dança pode restabelecer-nos de animo, de entusiasmo, e de força para o embate duro do futuro que começa agora. A cultura é fundamental. E se os custos são elevados, temos de ver que por si só pode poupar muitas idas ao psiquiatra ou em tomas de zoloft ou valium.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

em dia 'não'

Precisava de uma varinha mágica, ou de super poderes, ou de ser a mulher maravilha, ou ainda de ter uma bola de cristal ou então, tão somente, saber ler nas entrelinhas os mistérios de que a vida é feita. Nada sei. Nada disto sei. Nada.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Tal como previra...

... os meus colegas da área da informática acabam de me ligar a  dizerem que não me podem ajudar...

enfim...

Quando algo se avaria ao nível dos nossos computadores temos de fazer um pedido via e-mail a explicar o que se passa para o sector informático do estaminé onde trabalho. Hoje, reparando na ausência de rato num computador que precisava, escrevi um mail apressado e só quando veio a resposta automática é que vi que tinha escrito no assunto: ausência de rata.


Parece-me que devo ter toda a secção informática a rir-se da minha pessoa… ou com pena.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Volto a sair quando fizer uma plástica, uma lipoaspiração e quem sabe uma lobotomia


Ele é um tipo muito alto e meio desengonçado. Educado e contido, há no seu olhar qualquer coisa que nos escapa. Algo que toca a insanidade. Quem o conhece sabe que, nos idos anos 80, andou de mãos dadas com a droga, aquela maluca que o deixou insano enquanto levava muitos dos seus amigos. E ele, passado 20 anos, com uma reforma antecipada por danos cerebrais, ainda hoje jura que, numa noite, nos finais dos anos 80, viu o pato Donald na praia de Paço de Arcos.  

Retenham esta história que já volto a ela daqui a pouco.

Sábado foi dia de jantar de aniversário de uma amiga. Devia ter ficado em casa se soubesse os danos psicológicos que aquela noite iria produzir na minha pessoa, mas não sabia e, como tal, lá fui. Arranjei-me como uma mulher de 40 anos tem de se arranjar. Coisa que já leva algum tempo…

A ideia do jantar-surpresa foi do namorado dessa minha amiga (um grande amigo meu) que entendeu reunir todas as suas amigas dos mais variados quadrantes para depois estarmos todas à espera dela e tchan, ela chegava e chorava e abraçava-nos a todas, dizíamos coisas sentimentais umas às outras e coisa e tal. Uma ideia ótima. Perfeita, mesmo. Excelente até, mas para mim a coisa não correu lá muito bem. Chegada lá começo a vislumbrar a chegada das outras amigas que eu nunca vira. Conclusão, ao fim de mais de 20 meninas, percebi que eu era, de longe, a mais velha. A cota, portanto. E mais, não só eram jovens como também eram todas mulheres lindíssimas. Quase o paraíso para qualquer mente masculina que aprecie o género. Altas, elegantes, bem arranjadas, que me levou e enfiar-me na caipirosca em cheio. Mergulhei nela de cabeça. Vocês que me leem há algum tempo sabem que aprecio o género feminino arranjado. Gosto de as ver lindas, distintas e belas. Gosto, mas assim tão de perto é qualquer coisa que chega a machucar um pouquinho o nosso (o meu) ego. Mas o pior (melhor) estava para vir. Estava sentada quando vejo a entrar no restaurante uma mulher lindíssima, daquelas que ninguém consegue ficar indiferente. E voilá, a moça sentou-se ao meu lado. E querem saber o melhor? Não, não era burra, não, não era inculta, não, não era antipática e tinha um sentido de humor único. Tive vontade de a levar para casa e partilhar o meu sofá. Ela é uma mulher de que não podemos falar mal (bolas), não podemos esquecê-la, não podemos deixar de ter vontade de quase, quase, a pedir em casamento. E durante uma hora tinha a sensação que já a vira. Que a conhecia de algum lado. Mas de onde? Onde? Entretanto chega a aniversariante e parabéns, e beijos e abraços, e juras eternas de amizade (que ela bem merece) e mais mil ternuras e eu a pensar: mas de onde é que a conheço? E ela come e come e magra e magra que metia nojo. E linda. E perfeita e eu quase a dizer-lhe: sabe que é uma mulher lindíssima? quando alguém a chama e faz-se luz: Sofia. Sofia, ah, esta é a Sofia Ribeiro. Ó benza Deus, é a atriz que está ao meu lado! Ainda pensei pedir-lhe para tirar uma foto mas depois eu desaparecia ao seu lado. Sumia-me. E até ao fim do jantar foi muito bom ver que aquele estereótipo da mulher bonita, bem-feita é burra, caiu por terra diversas vezes durante aquele serão.

Por fim, meia anestesiada com tanta gente bonita e interessante dei um pulo ao bar onde estava o meu irmão. Entrei e deparei-me com o tal moço, hoje um homem feito, de que vos falava no princípio deste texto. E foi ele, aquele que jura que viu o pato Donald na praia de Paço de Arcos que me disse: você hoje está muito bonita.

Valha-nos isso! ( é melhor que nada)

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Dia da Criança


Eu não ligo nenhum para o Dia da Criança. Não embandeiro em arco nem desato a comprar prendas para a minha filha. No limite, tento sair mais cedo (verei se consigo) para ir passear com ela até ao parque, de resto é um dia como outro qualquer. Se calhar porque ela tem tudo. Porque tem quem a ame. Quem a vista. Quem a alimente. Quem a mime. Quem a eduque. Quem lhe dê cultura e conhecimento. Quem a ponha a ouvir as Marias, as Xanas Toc Toc e os Pandas todos e mais alguns. E como tal, creio que para a nossa vivência, e ainda bem, este dia não faz sentido.

Leio que a fome no mundo mata a cada 5 segundos uma criança. Isso sim, é dramático. E o que fazemos neste dia? Colocamos fotografias dos nossos bem alimentados e rechonchudos filhos no facebook, os amigos comentam como ‘linda’, ‘maravilhosa’ e coisa e tal e saímos mais cedo para comprarmos uma prenda que se irá juntar à tonelada recebida no último natal. E amanhã esqueceu-se o dia. Passamos à frente. Depois vejo pelo noticiário que elas, atrizes e empresários deste mundo, recheadas de creme lá mer nas fuças, malas Chanel, roupas da última griffe dizem, perante uma amálgama de jornalistas, que pensam e que ajudam as crianças que tiveram o azar de nascerem nos países em vias de desenvolvimento. Que seu coração sofre por elas. Que. Que. Que. E acabam o espetáculo e ligam ao seu contabilista para saber se podem colocar mais uma tranche algures livre de impostos e vão comer alface ao restaurante mais caro do universo. Descansados e com a mente em paz. Que bom, porque precisamos de paz.

E vivemos todos assim, uns mais e outros menos, mas contentes por não vivermos na Nigéria, no Gana ou num outro país que só existe, como país, no mapa. Por cá temos a nossa dose. Temos os meninos da casa pia que estando à tutela do Estado, mais valia não estarem porque este Estado não foi um pai amoroso, cuidadosos, terno e atento. Não foi. Para já sabemos que permitiu que uns fossem violados, brutalizados e que outros levassem com chumbo nos dentes como se não houvesse amanhã. Se calhar até aconteceu a alguns ambas as coisas. E saber se chegaram à idade adulta sem problemas neurológicos é o próximo passo. E se não chegaram? Como se volta atrás? Não permitimos que façam experiencias com os nossos filhos, jamais deveríamos permitir que fizessem com aqueles de quem temos a tutela. Mas tudo bem… são meninos que devem estar contentes porque têm os dentes chumbados. E que eu saiba dentes chumbados não dão dores. E dores de dentes é tramado. Mas eu continuo a ir para casa, com a minha filha, feliz e contente. E isto é só um desabafo contra tudo e todos e um pouco contra mim. Aquilo que vou fazendo é pouco. Dou o que a minha filha já não precisa a crianças que nada têm e precisam. Não dou o que está velho e já não presta. Dou o que está bom. Mobília e roupa. E mais umas coisinhas. Recuso-me a colocar nos sites de venda de objetos em segunda mão, porque a quem dou nem a esses consegue chegar. Mas sei que é pouco. Muito pouco. E que este dia me sirva para dar um pouco mais.

Mai'nada

«Se Deus quisesse que o Homem fumasse tinha-lhe feito uma chaminé no corpo», acabadinha de ouvir de um senhor que ligou para participar na Opinião Publica na SIC Notícias