Ontem fui à SIC falar das
diferenças entre homem e mulher nas tarefas domésticas. Sei apenas o que se
passa na minha casa. De resto, a profundidade do tema está ao nível da importância
das pipocas na áfrica subsaariana. E não tem mal nenhum discutir-se coisas comezinhas.
Não são de coisas comezinhas que é feito grande parte do nosso dia-a-dia? Mas
parece que não. Parece que aquilo que uma pessoa deve predispor-se a discutir,
deve ser sempre de grande profundidade intelectual e acuidade mental, senão…
senão somos umas fúteis e uns danados de uns seres vivos sem qualquer tipo de
interesse. E eu adoro estas pessoas que pensam isto, como se a vida fosse preto
e branco. Que não é. Se a vida delas é assim, deve ser demasiado terrível
chegar perto quanto mais vivê-la. São do género de gente que se leva muito,
demasiado, a sério. Se há coisa que estes 42 anos de vida me têm ensinado é que
não nos devemos levar a sério. Isto é bom assim, com um sorriso pelo caminho. E
é demasiado rápido e célere a estadia por aqui. Por isso, relaxem. Sejam
audazes na busca da vossa felicidade. Atrevam-se a viver e acima de tudo a
rirem.
quarta-feira, 24 de setembro de 2014
domingo, 21 de setembro de 2014
o meu fim de semana, o meu begin again
Não consigo viver tudo aos fins-de-semana.
Não consigo chegar a sexta à noite e desatar a correr seca e meca em busca da
animação perdida durante a semana. Não consigo açambarcar o mundo com as pernas
e desatar numa sangria desatada de jantares, saídas, praia, serra, compras,
cinema, concertos… não consigo. Os fins-de-semana tenho de os viver com alguma
parcimónia social. Preciso do meu sossego. Das minhas horas ocas. Dos filmes
comigo deitada no meu sofá. Da música lenta. De mensagens com amigas. De
leituras pausadas. Este começou por ser de cama. Recuperei a tempo de ver o
filme Begin Again. E gostei. Talvez tenha partes um pouco cutxi-cutxi, que tem.
Talvez seja demasiado ‘pássaro azul em cima da montanha’, que é. Talvez a Keira
seja um pouco teatral demais, pois sim, mas o filme coube-me que nem uma luva. Fez-me
bem. Soltou-me o riso. Aliviou-me os pensamentos. E a banda sonora já está
aconchegada no meu telemóvel para me acompanhar durante a semana. Depois foi um
bife fora de horas e uma ida à feira de velharias. De resto, foi casa, cozinha,
livros e sono, muito sono. E a miúda a andar de bicicleta. Sim, a miúda. Ela é
que é o meu compasso. O meu ritmo. A miúda. A minha miúda. Foi assim o meu fim-de-semana.
Bastou-me. Que venha a semana. Olá semana.
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
a arte de viajar
A minha filha tem três anos e
está naquela fase de verbalizar o mundo. Vou-lhe descobrindo a personalidade,
os tiques, os feitios e defeitos. É agora que descubro de que massa é feito o
seu ser. E cada dia surge com algo
diferente. Ontem disse que queria ir para outro país. A miúda nunca saiu deste.
Nem o conhece bem. Tem três anos, certo?! Ainda não deu para lhe colocar um
mapa nas mãos e mandá-la fazer-se à estrada, mas ela disse que queria ir para
outro país. Perguntei-lhe que país. Disse ‘Espanha’ sem pestanejar. Ela nunca
foi a Espanha. Ainda que me dissesse que queria ir à terra da Branca de Neve,
da Cinderela, da Docinho de Morango, ainda vá, mas a Espanha? O meu receio é
que ela vá ter o bicho das viagens e o mundo lhe pareça pequeno. Como eu tenho
e como me parece a mim. Mas digo isto com uma ponta de orgulho e desejo. Será
de mim, ou todas gostamos de ver nos filhos particularidades nossas?
![]() |
| fotografia de Mané da www.Lightstudium.pt |
segunda-feira, 15 de setembro de 2014
A Improvável Viagem de Harold Fry
Comecei a ler o livro A Improvável Viagem de Harold Fry e interrompi para ler o livro Snu e a vida privada com Sá Carneiro. Este li-o numa tarde e retomei o A Improvável Viagem de Harold Fry. Depois voltei a interromper para ler o livro de Pedro Mexia. Acabei este e retomei o outro que voltei a interromper para ler O Sonho de Um Curioso de Anabela Mota Ribeiro. Acho que estas interrupções dizem muito do livro A Improvável Viagem de Harold Fry.
sábado, 13 de setembro de 2014
...
Ele esperou por ela anos e anos. Ela casou e enviuvou. Ele, finalmente, pode fazer dela sua mulher. E não é feliz. E estranha não o ser.
Mas...
Quem lhe disse que anos de espera trazem, obrigatoriamente, a felicidade?
sexta-feira, 12 de setembro de 2014
O sonho de um curioso de Anabela Mota Ribeiro
O que tenho para vos contar já
se passou há uns três meses.
Estava eu numa bomba da galp (gosto de
gasolineiras que tenham cartões direccionados para as mulheres, cor de rosa e
tudo) quando me deparo com a Anabela Mota Ribeiro, que eu simplesmente adoro,
na capa de uma revista. Estranhei. Ela é uma mulher discreta. Não me lembro de uma entrevista a ela, não me lembro mesmo. Creio que um dia li que ela não acumulava nada em casa, que dava sem problema aquilo que os outros gostavam e que era dela. Não sei se sonhei... talvez esteja a fazer confusão... sei lá... Importa dizer que tenho uma
admiração muito grande por ela. Para além de ser minha conterrânea nutro uma
pequena grande dor de cotovelo pela forma como ela conduz uma
entrevista. Por isso, nem hesitei. Comprei a revista e abalei para casa o mais
rápido que consegui. Deitei-me no sofá a folhear. Sabem aquela sensação de
curiosidade que parece alimentar o pensamento? Estava assim. Corri a revista de
fio a pavio e não vi a entrevista. Voltei ao início da revista, desta vez mais
calma, folha após folha e nada. Respirei fundo. Vi de novo. Nada de nada. Olho
para a capa e vejo que afinal não era a Anabela Mota Ribeiro mas sim a Roberta
Medina. Era a Roberta Medina na capa. A Roberta Medina, meu Deus! Nesse dia,
quando fui ao facebook, deparo-me com um post da Anabela e resolvi contar-lhe o
sucedido por mensagem privada. Não costumo dar-me a estas ousadias com quem não
conheço, mas achei que tinha de partilhar com ela o que me tinha acontecido. Foi
muito gentil. Respondeu logo. A dizer isso mesmo, que se riu ( e a achar-me uma
tonta, mas isto ela não disse). Aproveitei para lhe dizer que ela devia
reeditar o seu livro ‘O sonho de um curioso’ que não consegui encontrar nenhum
exemplar não obstante da busca que encetei há já vários anos. E eis que ela,
pura e simplesmente, me ofereceu o seu livro devidamente autografado. Dei por
mim a aguardar o correio como se uma miúda em véspera de natal se tratasse. E
quando o correio me trouxe a encomenda, depois de anos e anos a apenas trazer
contas e noticias pouco aguardadas, dei por mim a agarrar o envelope, a abraçá-lo
e a abri-lo com cuidado como se de uma jóia se tratasse. E era mesmo uma jóia. Uma jóia minha.
Obrigada Anabela. Prometo não
perder a curiosidade.
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
Dos príncipes encantados
Ando por aqui a rir-me por
dentro de forma quase sonora. Pois que me convidaram da SIC para ir a um
programa falar de, imaginem lá que eu jamais adivinharia, não fosse a rapariga
dizê-lo quatro vezes ao telefone para que eu acreditasse: príncipes encantados.
Oi?! Perguntei. Sim, príncipes encantados. Porquê eu, logo eu que não acredito neles?
Ela lá se explicou e eu acabei por dizer que sim, que aceitava, que, muito bem,
falaria de príncipes encantados. E agora ando a pensar neles, coisa que nunca o
fiz, mesmo quando minúscula no colo da minha mãe lhe ouvia as histórias de
encantar. Defeito meu, eu sei. Na verdade, os príncipes encantados remetem-me
para uma ideia perfeita de alguém que não aprecio. Sempre gostei do defeito.
Sempre me estimulou mais o homem que pensa por si em vez de se anular aos
gostos da mulher que tem a seu lado. Sempre me entusiasmou quem sabe o que quer,
quem sabe o que é, mesmo que isso me obrigue a uma cedência de gostos.
Alarga-me o horizonte. Sempre entendi que completar tem mais a ver com a
conjugação de mundos distintos do que mundos iguais. Tive uma colega na
faculdade que namorava há mil anos com um rapaz que, segundo ela, era perfeito.
O verdadeiro príncipe encantado: sempre que jantavam fora ele levava-a aos restaurantes
que ela gostava; sempre que iam de férias e embora ele gostasse de destinos de
praia, iam conhecer o velho continente porque ela gostava; Os concertos eram na
medida dela; os filmes eram do género que ela apreciava; era ela que estipulava
os dias de estudo, as idas aos pais, as camisas que ele vestia… a dada altura,
ela deve ter deixado de saber quando acabava a sombra dela e começava o seu
namorado. Não sei ao pormenor o que aconteceu. Sei que um dia ela vomitou em
cima dele. Segundo ela, tinha comido chili, um chili horrível que ele tinha
tentado fazer porque era o prato que ela mais gostava. Cá para mim, a coisa é
mais profunda do que feijões, carne e pimentos. Ela enjoou dele. Daquele homem
que não se distinguia de si mesma.
Eu vou falar de príncipes encantados,
mas vou começar por dizer que não me servem, não me estimulam, não me encantam.
Se algum me couber na rifa, deixo-o todinho para quem gostar deles. A não ser que príncipes encantados sejam bem
mais interessantes, defeituosos, pertinentes, resilientes, teimosos do que os
que saíram dos livros de Anderson.
Subscrever:
Mensagens (Atom)

