Para quem não sabe, embaraço é
estar num jantar, na parte do cocktail de boas-vindas, um senhor virar-se para
mim e perguntar se tenho uma caneta. Respondo que sim, meto a mão na minha
mala, apalpo a caneta e estendo-lhe. Nesse preciso momento olho e verifico que
acabara de colocar um tampão na sua mão.
domingo, 30 de novembro de 2014
terça-feira, 25 de novembro de 2014
'se elas levam nos cornos, é porque merecem'
Parte do meu trabalho é gerir
um facebook do estaminé onde trabalho. Giro uma página institucional. E como
trabalho numa instituição democrática, os nossos ‘amigos’ têm direito a colocar
na página as suas críticas, positivas, negativas, sugestões, enfim, o que
entenderem desde que ‘vestidos’ de uma linguagem sem ser obscena. Às vezes
apanho sustos. Fico sempre a pensar o que leva algumas alminhas a escreverem o
que escrevem. A atuação reflete a pessoa. Disto não tenho duvida alguma. Hoje estava
a almoçar e por mero feeling, por
receio não sei bem do quê, acedi à página através do meu telemóvel. Num post
onde convidava todos a irem assistir a uma sessão sobre o Fim da Violência
sobre as Mulheres, um homem escreve ‘Se elas levam nos cornos é porque merecem’.
Apaguei o comentário. Não o costumo fazer. Por norma aviso a pessoa sobre o que
é razoável escrever-se, mas num ato automático apaguei o comentário. Vi ainda
que era um rapaz novo (podia ser um perfil falso). Sei que a violência, física ou
psíquica, acontece em todas as gerações. Tenho uma amiga que acabou o mestrado
com uma tese sobre a violência no namoro. Existe. Já existia. E infelizmente
acredito que vá continuar a existir. Não porque elas mereçam porque ninguém
merece ser alvo de violência, mas porque eles acham que a determinadas atitudes
ou respostas, a única resposta só pode ser a violência. Este é um problema
complexo. De extrema importância. Atual, infelizmente. Neste rio ainda muitas
mulheres serão vítimas de violência. Em alguns países as mais altas instâncias
advogam uma perigosa diferença de género, rebaixando o sexo feminino (basta
irmos à Turquia). E, no fim de tudo, a minha reflexão torna-se egoísta. Penso
sempre na minha filha. E penso que quero enchê-la de certezas. De capacidade de
discernimento. De amor, muito amor-próprio para que saiba ver que um homem
violento nunca poderá ser um homem para ela. Receio muito esta sociedade. Falava
com uma amiga sobre isto. Ela perguntou-me se não tinha vontade de responder à
letra a pessoas como o tipo do facebook. Não, não tenho. Nunca tenho. Há assuntos
que me deixam mais calada do que faladora por entender que não há entendimento
entre mim, entre aquilo em que acredito, e certas bestas. Não perco tempo com
bestas. Tenho pena que elas pululem por aqui, por este mundo. A única coisa que
sei é se elas levam nos cornos não é porque merecem, é porque vivem num buraco
tão escuro, tão negro, tão espartilhado, que não vislumbram luz alguma. A
pancada é, muitas vezes, apenas a extensão da triste sina que sobre elas
aterrou.
segunda-feira, 24 de novembro de 2014
Das minhas leituras
«As amazonas convivem
precisamente com esta dicotomia estranha e antagónica: como evidencia a lenda
de Alexandre Magno, sentem-se atraídas por homens aparentemente fortes, capazes
de as enfrentar ou até de as fazer sentir inferiores, mas depois querem
domina-los. É uma pena que as duas coisas sejam rotundamente incompatíveis».
Giorgio Nardone in ‘Os Erros
das Mulheres no Amor
quarta-feira, 19 de novembro de 2014
domingo, 16 de novembro de 2014
O sábado em imagens ( o terceiro corte de cabelo do piolho)
| Pensativa sempre que vai cortar o cabelo. pediu-me nuances. |
| Vamos sempre a Tomar porque só o Henri (acho que se escreve assim) é que tem paciência para o mau-humor deste bichinho |
| Epah, está ali um espelho. Epah estou mais magra. Epah não resisto em tirar uma foto. Esta dieta faz milagres. Epah, estou com fome. |
| Um lindo painel que estava no salão. |
| uiiiiii |
| Perdi a língua mãe |
| este rapaz merecia ganhar o triplo só por aturar clientes destas. |
| feitiozinho soviético |
| amuou e foi ler em segurança Nota: acabei o sábado a comer caras de bacalhau, couves do TiTu (tio Artur) e a emborcar um Cartuxa de 1989. Sim, leram bem, um Cartuxa de 1989. |
sexta-feira, 14 de novembro de 2014
sexta-feira e de como estou a envelhecer
Sexta-feira ando envolta entre
o trabalho que tenho em mãos; aquele que tenho na cabeça e o fim de semana.
Este será em Tomar. Não é bem Tomar, é lá perto, num lugar desgarrado, onde as
ovelhas se ouvem à distância e o seu bulir me remete, sempre, para o meu bem
mais longínquo Trás-os-Montes. Na verdade não são as ovelhas que me levam à
minha terra, porque nunca vi uma única por lá. Aquilo é mais terra de gentes
sem pressa, cães e gatos vadios, burros, vacas, porcos, galinhas, patos e de quando
em vez há assim uma avestruz para gáudio da população. Tomar obriga-me a parar.
A travar com os dois pés. A descansar. Levo, na mala, um livro da minha mais
recente obsessão: João Tordo. Já vou no seu terceiro livro. Vi-o numa
entrevista na televisão. Giro o puto, hein! É isto, aos 42 já todos são putos.
O impacto de ver que me cruzo constantemente com pessoas mais novas do que eu.
E não tem mal. Não me tem custado… ainda. Giro bem este mergulhar na idade...
ainda. Ainda.
Voltando, levo o João Tordo e
uma garrafa de vinho tinto. Está aí o inverno. Faço intenções de acender a
lareira e beber um vinho. E é por isto que a idade não importa. Nunca daria importância
a estas coisas há vinte anos. Era tudo energia, era tudo dinâmico, era tudo boémia.
Agora acalmo, travo e para dinâmica bastam-me os tumultos interiores.
Boa sexta-feira.
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