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quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

O meu ano para não me esquecer

Este meu ano foi um verdadeiro carrossel. Com altos e baixos estonteantes. Mas se fechar os olhos, sei que foi um bom ano. Lancei um livro. Construí amizades. Perdi cumplicidades. Delineei caminhos. Afinei vontades. Li muito. Ouvi muita música. Transformei a casa da marta e do rui na minha casa. Dei-lhes a minha casa a eles. Adorei cada jantar com o grupo que cada vez está mais coeso. Sei melhor o que quero. O que mereço. Não fui operada. Morri de saudades dos pais. Renasci a cada beijo da minha filha. Fiz um novo livro a ser lançado em 2015. Chorei muito e ri mais ainda. Criei histórias para lhe contar quando ela for maior. Senti-me só inúmeras vezes e na companhia certa outras tantas. Cozinhei muito e emagreci também muito. Passei a dormir mal e a acordar cedo mesmo quando não tenho de o fazer. Apaixonei-me e desapaixonei-me pelo meu trabalho mil vezes. Conheci Amesterdão na companhia de uma amiga que quero na minha vida sempre. Tive dias maus, muito maus e dias de sol maravilhosos. Cresci. Acima de tudo olhei para a minha foto na mesinha de cabeceira do meu pai quando eu tinha 21 anos e ri-me. Gosto mais de mim hoje, mais velha, mais contida mas mais ciente do meu lugar no mundo. Que venha 2015 que estou cá para vivê-lo.
Bom ano para todos vós.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Festa de Natal da minha filha


A miúda até podia chegar ao palco e não fazer absolutamente nada que não fosse respirar que eu iria achar o máximo, mas a verdade é que imbuiu-se do espirito de senhora consumista e bateu o pé, deu a mão, sorriu e encantou. No fim desatou a chorar. Uma diva, portanto.


Muito orgulhosa que estou!





segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Natal

‘Um dia, quando a vida te entrar nos ossos, vais deixar de gostar assim, dessa forma infantil, do Natal’.


Foi para mim que esta frase foi proferida. Foi numa outra vida, num outro inverno, quase me parece numa outra galáxia. A vida já me entrou nos ossos e a verdade é que gosto menos do Natal, mas o que gosto é ainda de uma forma infantil. Esta é a melhor maneira de se gostar do Natal: através dos olhos da minha filha. 


sábado, 13 de dezembro de 2014

As manhãs de sábado

Se me perguntarem o que mais aprecio nestas manhãs de fim-de-semana digo, sem pensar, que é acordar com a minha filha a entrar na minha cama a arrastar a sua almofada e a dizer-me: mãe, eu só vim aqui para que não sintas medo!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Das minhas leituras (quando o simples é bom)


«O primeiro poema que escrevi era sobre uma cerejeira. Felizmente perdeu-se para sempre. Usei o papel em que o escrevi para embrulhar umas quantas cerejas que ofereci a uma rapariga. Ela fez brincos de princesa com as cerejas mas nunca me deu um beijo. Perdi a rapariga e o poema. A cerejeira ainda lá está».

 

Tiago Rodrigues in ‘uma cerejeira num café’ (J.L)
 
 

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

das nossas descobertas


Hoje, ao tomar o pequeno-almoço na minha varanda da casa onde vivo há mais de oito anos, reparei que de um certo ponto se vê a ponte de Abril. Fiquei espantada. Não por se avistar a ponte mas por só agora me aperceber de tal. É como a vida, às vezes só num determinado dia, numa certa hora e num caprichoso segundo descobrimos o que afinal sempre esteve dentro de nós.

domingo, 7 de dezembro de 2014

Declarações de amor do cinema


Nick Cave em '20.000 dias na terra' faz a mais bela, eloquente, romântica, arrasadora declaração de amor da história de cinema à sua mulher. Poder-se-á pensar que este filme é apenas para amantes do Nick, tal como eu sou, mas é redutor. Este filme relata, acima de tudo, o processo criativo de um compositor. Apaixonam-me os mapas mentais que as pessoas têm para fazer algo, para a construção ou descontração de qualquer coisa. Para além de nos aproximarmos da forma atenta, cuidada, intensa com que Nick se dedica às suas músicas. E depois, pelo meio, ele fala da primeira vez que viu aquela que iria ser a mãe dos seus gémeos. Não houve naquela sala de cinema uma única mulher que tenha ficado indiferente àquele homem que, com aquele jeito desengonçado, fala do arrebatamento amoroso.

Tive de meter em segundo lugar aquela que, até então, era a minha mais bela declaração de amor, aqui.