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quarta-feira, 29 de abril de 2015

o picha mole


Havia uma senhora que passava a vida a levar porrada do marido. E imbuídos no espirito de que 'entre marido e mulher não se mete a colher' todos continuavam a vida como se nada acontecesse até que um dia, um dia como outro qualquer, ele deu-lhe uma bofetada em público. Talvez que tenha sido até a bofetada mais leve que levou, mas tinha sido em publico, e ela não foi de modas: puxa o braço atrás e desata a bater-lhe como se descomprimisse de toda a raiva acumulada. Bateu uma e duas vezes e a malta estava espantada e nem reagiu. Apenas começaram a reagir à quarta ou quinta bofetada/murro. Ele quedou-se. Levou e calou. Diz-se que ele nunca mais lhe bateu. Também passou a ser chamado de 'picha mole' porque um homem que bate era um homenzarrão, mas um que leva é um 'picha mole'. Também nunca mais apareceu para jogar à bisca com os amigos e fazia o caminho de cabeça no chão. O picha mole não levou apenas bofetadas, levou com toda uma vergonha de ser vitima do seu próprio veneno. Soube que o picha mole morreu na semana passada. A chora-lo estava a sua esposa.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

artrite rematoide

Este é o meu segundo texto no Maria Capaz. Às vezes parece que falo demais sobre esta questão, não é para me queixar, mas sim para alertar.
As doenças reumatológicas ainda são, muitas vezes, mal e tardiamente tratadas.
Temos de estar atentos. Muito atentos.


De resto, a doença não nos define. Não pode definir. Nunca.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

segunda-feira, 30 de março de 2015

A quaresma dos sentidos

Parei. Há alturas em que temos de parar. Parei. Esta semana parei. Tenho tido dias tão bons e tão maus que me esgotei nas soluções que fui arranjando aos tropeções. É preciso parar. Parei. Às vezes a solução é simples: parar. Olhar com um olhar mais descansado para os problemas. Vê-los de outra forma, sem o cansaço dos dias, o corpo espartilhado do inverno, as mãos doridas de dor e a cabeça cansada de tanta coisa e coisinha por que teve de passar. Tirar férias para unicamente descansar a mona. Cuidar da cria. Lambe-la até mais não e estar atenta a este crescimento que estando diante dos meus olhos muitas vezes se me escapa. Os putos crescem acima de tudo quando não olhamos. De cada vez que vou à cozinha e ela fica na sala, a miúda dá um pulo de crescida. Na sexta foi ao cinema com a tia do coração. Saiu de casa e era uma e entrou outra, mais crescida, enebridada com o filme, a contar pormenores e com palavras que nunca lhe tinha ouvido. Pronto, eles crescem no intervalo do nosso olhar. E às vezes andamos tão a mil que nem paramos para ver com olhos de ver. Parar. É importante parar. Ir para a floresta como a minha amiga Marta foi e parar. Chorar se for preciso. Ficarmos a sós. Esta semana resolvi fazer isso. Um género de quaresma dos sentidos.

domingo, 29 de março de 2015

Folar

Enquanto a amigdalite não me permite sair de casa, dedico-me à pesquisa de receitas de folar. Este ano decidi não passar a Páscoa sem um, e de preferencia que seja bom.


sábado, 28 de março de 2015

Este mundo evoluído

Ora bem, em Portugal continental, mundo evoluído, uma tipa como eu, com uma amigdalite aguda que só passa com penicilina, já vai no segundo antibiótico porque não há penicilina nos nossos hospitais. E eu que achava que leite e penicilina seriam coisas que nunca faltariam, nunca.

quarta-feira, 25 de março de 2015

As diferenças entre pais e mães

Com a filha nas urgências. Há mães com filhos e pais com filhos. os filhos que vieram com as mães, têm as progenitoras coladas a eles à medida que as crias andam a descortinar o espaço; os progenitores estão sentados, a ler ou a ver o telemóvel e deitam 'um olho' assim de soslaio.