De repente, os 400km que nós distanciam, são aniquilados. Meu pai apanha as cerejas e mete numa caixa e manda, pagando pela encomenda aquilo que me daria para comprar sei lá quantos quilos de cerejas. Mas ele diz que estas são melhores, não têm químicos e a 'menina deve comer fruta da época e biológica'. E a verdade é que a miúda anda feliz pela casa a dizer que as cerejas do avô Rocha são as melhores. E são. Quando se gosta, não há longe nem distância.
sábado, 30 de maio de 2015
sexta-feira, 29 de maio de 2015
sem palavras
NO passado dia 26 lancei a
biografia de Fernando Lima Bello e contei com a presença da minha filha que,
durante a minha intervenção, me olhava num sossego invulgar. Quando nos
encontrávamos no meio do transito a caminho de casa, só as duas, disse-me:
- Mamã, tenho muito orgulho em
ti.
E eu embevecida perguntei-lhe:
- Porquê, filhota?
E ela suspirou fundo e disse:
- Não sei, mas tenho.
Foi ali, naquele segundo, que o
dia valeu a pena e tudo o resto, em absoluto, foi secundário.
sábado, 16 de maio de 2015
A casa dos livros
A miúda adora livros e estupidamente ainda não a tinha levado a uma biblioteca, mais estupidamente ainda, vivo perto de uma das melhores-a de Oeiras. Calhou a ser hoje e ela ficou siderada. Aquilo não é para menos. As técnicas ajudam, os miúdos andam perfeitamente à sua vontade ( as regras passam por estimar os livros) e o difícil foi arranca-la de lá.
Eu sou do tempo em que tinha de esperar três semanas pela carrinha da gulbenkian para ter os meus tão adorados livros e se eu tivesse uma biblioteca à mão de semear ficava feliz; agira tenho e nunca lá vou.
A miúda trouxe dois livros para casa. Sabe que não são dela e como tal tem de estimar e aprender a respeitar os objetos ( coisa que com os seus livros nem sempre funciona) e prometi-lhe levá-la amiúde. E foi vê-la feliz com está tão simples promessa.
Há quanto tempo não levam os vossos filhos a uma biblioteca?
terça-feira, 12 de maio de 2015
Cronica na Maria Capaz
Aqui fica a minha cronica da Maria Capaz onde conto historias que se passaram na minha aldeia. Esta é a primeira e espero que gostem
terça-feira, 5 de maio de 2015
a arte de enrolar um bolo
A primeira vez que fui a uma
entrevista de emprego andava na faculdade e queria ganhar uns trocos extras.
Nervosa como se vai a estas coisas de gente crescida, entrei naquele gabinete
que cheirava a papel (um cheiro que me persegue) misturado com bolor. Depois de
dissecadas as minhas características mais intelectuais, quiseram ir ao âmago da
minha pessoa e perguntaram-me por uma aptidão de que me orgulhasse, que tivesse
sido uma luta, uma batalha. Respondi: enrolar uma torta ...em perfeitas
condições. Uma torta?, perguntaram. Sim, uma torta. Minha mãe ensinou-me
durante anos, com uma paciência que só as mães têm, depois de partir mil bolos,
até que consegui. Tenho o sabor da primeira ainda na boca, na cabeça, em mim. E
desde que consegui a primeira, consegui todas as restantes. Uma vitória,
portanto, de que me orgulhava. Uma torta. Uma torta com doce de tomate. As
melhores. É difícil, sabem?, expliquei. Não fiquei com o emprego.
(esta fiz este fim de semana para a minha
filha dar à avó)
quarta-feira, 29 de abril de 2015
o picha mole
Havia uma senhora que passava a
vida a levar porrada do marido. E imbuídos no espirito de que 'entre marido e
mulher não se mete a colher' todos continuavam a vida como se nada acontecesse
até que um dia, um dia como outro qualquer, ele deu-lhe uma bofetada em
público. Talvez que tenha sido até a bofetada mais leve que levou, mas tinha
sido em publico, e ela não foi de modas: puxa o braço atrás e desata a
bater-lhe como se descomprimisse de toda a raiva acumulada. Bateu uma e duas
vezes e a malta estava espantada e nem reagiu. Apenas começaram a reagir à
quarta ou quinta bofetada/murro. Ele quedou-se. Levou e calou. Diz-se que ele
nunca mais lhe bateu. Também passou a ser chamado de 'picha mole' porque um
homem que bate era um homenzarrão, mas um que leva é um 'picha mole'. Também
nunca mais apareceu para jogar à bisca com os amigos e fazia o caminho de
cabeça no chão. O picha mole não levou apenas bofetadas, levou com toda uma
vergonha de ser vitima do seu próprio veneno. Soube que o picha mole morreu na
semana passada. A chora-lo estava a sua esposa.
quarta-feira, 8 de abril de 2015
artrite rematoide
Este é o meu segundo texto no Maria Capaz. Às vezes parece que falo demais sobre esta questão, não é para me queixar, mas sim para alertar.
As doenças reumatológicas ainda são, muitas vezes, mal e tardiamente tratadas.
Temos de estar atentos. Muito atentos.
De resto, a doença não nos define. Não pode definir. Nunca.
As doenças reumatológicas ainda são, muitas vezes, mal e tardiamente tratadas.
Temos de estar atentos. Muito atentos.
De resto, a doença não nos define. Não pode definir. Nunca.
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