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segunda-feira, 8 de junho de 2015

A rapariga no Comboio


Comprei o livro A Rapariga no Comboio de Paula Hawkins há dia e meio e não obstante de andar sempre a queixar-me que não tenho tempo para fazer ginástica, para isto e para aquilo, já meti no bucho 320 páginas, ou seja, a totalidade do livro. Há muito que não apanhava um livro que me fizesse cortar nas horas de sono, de tempo com a família, na cozinha apenas para o ler com uma sofreguidão que até me provocou dores de cabeça. Mesmo. Isto é a sério. Se gosta de livros de suspense, este está assim, ao nível da única Agatha Christie. E mesmo quando o fim espreita e descobrimos a trama, vejam a magia do bicho, nem aí o largamos.

sábado, 30 de maio de 2015

Cerejas

 De repente, os 400km que nós distanciam, são aniquilados. Meu pai apanha as cerejas e mete numa caixa e manda, pagando pela encomenda aquilo que me daria para comprar sei lá quantos quilos de cerejas. Mas ele diz que estas são melhores, não têm químicos e a 'menina deve comer fruta da época e biológica'. E a verdade é que a miúda anda feliz pela casa a dizer que as cerejas do avô Rocha são as melhores. E são. Quando se gosta, não há longe nem distância. 


sexta-feira, 29 de maio de 2015

sem palavras

    NO passado dia 26 lancei a biografia de Fernando Lima Bello e contei com a presença da minha filha que, durante a minha intervenção, me olhava num sossego invulgar. Quando nos encontrávamos no meio do transito a caminho de casa, só as duas, disse-me:
    - Mamã, tenho muito orgulho em ti.
    E eu embevecida perguntei-lhe:
    - Porquê, filhota?
    E ela suspirou fundo e disse:
    - Não sei, mas tenho.
    Foi ali, naquele segundo, que o dia valeu a pena e tudo o resto, em absoluto, foi secundário.



sábado, 16 de maio de 2015

A casa dos livros


A miúda adora livros e estupidamente ainda não a tinha levado a uma biblioteca, mais estupidamente ainda, vivo perto de uma das melhores-a de Oeiras. Calhou a ser hoje e ela ficou siderada. Aquilo não é para menos. As técnicas ajudam, os miúdos andam perfeitamente à sua vontade ( as regras passam por estimar os livros) e o difícil foi arranca-la de lá. 

Eu sou do tempo em que tinha de esperar três semanas pela carrinha da gulbenkian para ter os meus tão adorados livros e se eu tivesse uma biblioteca à mão de semear ficava feliz; agira tenho e nunca lá vou. 

A miúda trouxe dois livros para casa. Sabe que não são dela e como tal tem de estimar e aprender a respeitar os objetos ( coisa que com os seus livros nem sempre funciona) e prometi-lhe levá-la amiúde. E foi vê-la feliz com está tão simples promessa. 

Há quanto tempo não levam os vossos filhos a uma biblioteca? 

terça-feira, 12 de maio de 2015

Cronica na Maria Capaz

Aqui fica a minha cronica da Maria Capaz onde conto historias que se passaram na minha aldeia. Esta é a primeira e espero que gostem


terça-feira, 5 de maio de 2015

a arte de enrolar um bolo

A primeira vez que fui a uma entrevista de emprego andava na faculdade e queria ganhar uns trocos extras. Nervosa como se vai a estas coisas de gente crescida, entrei naquele gabinete que cheirava a papel (um cheiro que me persegue) misturado com bolor. Depois de dissecadas as minhas características mais intelectuais, quiseram ir ao âmago da minha pessoa e perguntaram-me por uma aptidão de que me orgulhasse, que tivesse sido uma luta, uma batalha. Respondi: enrolar uma torta ...em perfeitas condições. Uma torta?, perguntaram. Sim, uma torta. Minha mãe ensinou-me durante anos, com uma paciência que só as mães têm, depois de partir mil bolos, até que consegui. Tenho o sabor da primeira ainda na boca, na cabeça, em mim. E desde que consegui a primeira, consegui todas as restantes. Uma vitória, portanto, de que me orgulhava. Uma torta. Uma torta com doce de tomate. As melhores. É difícil, sabem?, expliquei. Não fiquei com o emprego.



 (esta fiz este fim de semana para a minha filha dar à avó)