«no ano seguinte o meu pai levou-nos numa rara excursão ao Museu de Arte de Filadélfia. Os meus pais trabalhavam muito, e levar quatro crianças de autocarro até Filadélfia causava muito cansaço e muita despesa. Foi o único passeio desse tipo que fizemos em família, e assinalou a primeira vez que me encontrei frente a frente com a arte. Tive uma sensação de identificação física com os longos e langorosos Modiglianis; fiquei comovida com os elegantes retratos do Sargent e do Thomas Eakins; fascinada pela luz que emanava dos impressionistas. Mas foi num corredor dedicado a Picasso, dos seus arlequins ao Cubismo, que me senti mais profundamente penetrada. Aquela brutal confiança dele cortou-me a respiração. (...)
Estou certa de que, enquanto descíamos a grande escadaria, eu continuava a ter o aspeto de sempre, o de uma tristonha miúda de doze anos, toda desajeitada. Mas secretamente eu sabia que fora transformada, mudada pela revelação de que os seres humanos criam arte».
Patti Smith in Apenas Miúdos
quarta-feira, 19 de agosto de 2015
terça-feira, 18 de agosto de 2015
o verão em que aprendeu a mergulhar
Isabel Stilwell escreveu um texto que se intitulava 'o verão em que aprendi a nadar' e um pouco inspirada nesse brilhante texto, pensei que este é o verão em que a minha filha aprendeu a mergulhar. não que o faça de forma perfeita. na maioria das vezes cai de chapa, mas emerge sempre com um sorriso triunfante. e o sorriso dela mostra-me que não tem de ser perfeito para dar prazer. é mesmo assim. na verdade, estou sempre a aprender com ela.
sábado, 1 de agosto de 2015
A minha praia
Fim de semana na praia. Não na praia da minha infância, mas na praia onde criei afetos e memórias que bem poderiam ser a da minha infância.
Começa a ser a praia da infância da minha filha. E isso da-lhe toda a importância.
sábado, 11 de julho de 2015
das sobremesas boas e faceis
Gosto muito de organizar
jantares em casa. De receber amigos e de ficar à conversa na intimidade do meu
lar. E gosto de receber bem mas sou organizada de forma a não ficar com a
sensação de ter feito uma maratona quando o jantar acaba. Por isso, ao fim de
duas décadas a fazer jantares, consegui ser uma moça prática.
Hoje vou dar um jantar e fiz
sobremesa que é tão fácil, mas tão fácil que pensei em partilha-la.
Tinha bolo de iogurte que fiz
com a minha filha na quarta-feira. Pode ser qualquer resto de bolo. Se não
tiverem, comprem do pão-de-ló básico que há em qualquer supermercado. Uns
morangos, mas pode ser outra fruta qualquer e umas natas batidas. Depois é
colocar camadas destes três ingredientes de forma a acabar com as natas. Meter
no frigorífico e esperar pela hora de servir. Faz-se em cinco minutos e é
fresquinha e boa para estes dias de calor.
domingo, 5 de julho de 2015
Grande noite, grande noite
Ontem estive na companhia de uma rapariga que é muito amiga de uma amiga minha. Foi um jantar de aniversário intimista, onde éramos apenas quatro miúdas. Uma delas apenas a vira uma vez mas aconteceu aquilo que acontece inúmeras vezes: empatia ( o contrário também acontece). E essa miúda, a Selma, é talvez a pessoa com que me deparei na vida que mais piada tem. Piada no sentido de se rir de si própria. Quantas pessoas o conseguem? Poucas, infelizmente, mas a Selma consegue falar de si como se de uma personagem de um filme se tratasse. No fim da noite, doía-me os maxilares de tanto me rir e há muito que precisava de uma noite assim.
Deus escreve direito por linhas tortas, nem mais.
Ficou no ar um plano, irmos a Santiago de Compostela para o ano, a pé, mas a ideia é partir do Minho. Veremos o que daqui vai sair, parece-me que o plano é ambicioso para quem tem quatro próteses na coluna e artrite reumatoíde, mas também acredito que nada é mais forte e poderoso que a mente.
domingo, 28 de junho de 2015
sexta-feira, 26 de junho de 2015
dos afetos virtuais
As mãos que afagam o teu cabelo
podem estar a quilómetros de distância de ti. É esta a frase que me surge
quando vejo esta imagem. É como se não víssemos o sitio onde nos encontramos
mas quiséssemos ver onde não estamos e acabamos perdendo ambos.
Vivemos o mundo dos afetos das
redes. Um dia já nem sabemos tocar. Morreremos quando deixarmos de sentir.
Bom dia.
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