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segunda-feira, 14 de setembro de 2015

vamos ajudar?


Fotografar para ajudar. #fotografarparaajudar

Um grupo de fotógrafos de família, resolveu unir-se numa acção de angariação de fundos pelas crianças.

Iniciativa


A crise dos refugiados da Síria não deixa ninguém indiferente. Com um país em guerra há mais de quatro anos, as famílias sírias não encontram outra saída que não a fuga desesperada pelo mediterrâneo em direcção à Europa. São milhares que arriscam as vidas, em condições desumanas, não por uma vida melhor, mas sim pela esperança da sua sobrevivência!
Pelas crianças, principais vítimas em qualquer situação de conflito ou crise, um grupo de fotógrafos de família, resolveu unir-se numa acção de angariação de fundos simbólica.
Nós lidamos, todos os dias, com famílias e crianças felizes. Por isso, faz todo o sentido podermos usar o nosso tempo e trabalho para ajudar, pouco que seja, aquelas crianças que estão a passar por condições impossíveis. Por isso, cada um de nós irá leiloar uma sessão fotográfica, em que 100% do valor licitado será doado à UNICEF.

E como é que tudo vai funcionar?

Cada fotógrafo está a oferecer um voucher para:
  • Sessão fotográfica (bebé, criança ou família) duração de 1h-1h30
  • Entrega das imagens em suporte digital (CD ou USB)
  • Validade do voucher: 6 meses a partir da data do donativo
  • Base de licitação: 150€

As famílias interessadas em fazer a sessão devem comentar este post com o valor da sua licitação. Ou em alternativa procurar um dos colegas associados e licitar no post idêntico da respectiva página. Terão até ao dia 18 de Setembro para o fazer e, no final, a família que licitar o valor mais alto vence o seu leilão (podem licitar as vezes que quiserem para cobrir o valor anterior; cada nova licitação deverá ter pelo menos um valor de 5 euros superior à mais alta).
Uma vez o leilão terminado, o fotógrafo entra em contacto com a família. Uma Nota importante: o pagamento do valor acordado será feito directamente pela família à UNICEF e o comprovativo do donativo enviado ao fotógrafo.
Somos 30 fotógrafos a participar nesta iniciativa espalhados por todo o país. Juntos e em conjunto com as "nossas" famílias, esperamos conseguir ajudar a mudar o mundo... nem que seja o mundo de uma criança.

Esta iniciativa conta com a participação dos seguintes fotógrafos:
Tales of Light - facebook.com/Talesoflight
The Red Flying Duck - facebook.com/redflyingduck


MaryJane Photography - facebook.com/maryjanephotography.pt


quinta-feira, 10 de setembro de 2015

O Véu Pintado



Às vezes, questiono-me como demorei tanto tempo a descobri determinado autor. É uma desatenção total. É um desatino que fere, mas quando o descubro sinto, por outro lado, a alegria de ter uma miríade de obras para me inflamar. De certa forma, e por motivos que não descortino, nunca tinha lido anda de Somerset Maugham, estas férias li O Véu Pintado e foi como se estivesse a ver um filme. Ele é de tal forma cinematográfico, que faz acontecer a história a cores na nossa cabeça. É aquela capacidade que uns poucos têm de escrever de forma simples mas escorreita, certeira, capaz, envolvente. E um homem a falar através de uma personagem feminina como só as mulheres sabem ser e pensar, encanta-me.

A história é um murro no estômago. Os amores não correspondidos; os amores desencontrados. As cobardias no amor… a traição e a culpa. Tudo está tão bem misturado que no fim queremos que continue. Queremos saber mais e mais daquelas personagens. E quando um livro acaba, desejamos que continuasse e pode custar metê-lo na prateleira mas é a certeza que valeu cada palavra que se leu (que se engoliu, porque na verdade este livro engole-se).

Ela casou com quem não amava. Ele casou com a mulher que amava. Ela traiu-o com quem não a amava. Ela deixou de se amar…

Sublime.

domingo, 6 de setembro de 2015

dos nossos domingos

Em casa dos meus pais, quando era miúda, sabia que era domingo pelo cheiro que o limão ou a canela ou os bolos no forno impregnavam o ar. Não havia domingos sem doçaria lá por casa. Tenho essa tendência.
Hoje é domingo. tem de haver um doce.
A minha filha gosta de me ajudar. Adora partir os ovos e já o faz com mestria.
Vamos lá então!


terça-feira, 1 de setembro de 2015

A Chuva antes de Cair de Jonathan Coe


Às vezes não é o livro que não é bom, somos nós que, naquele momento da vida não estamos preparados para o absorver como ele merece.

Quando li que Grande Banquete e o Rotters’ Club de Jonathan Coe, embora tenha gostado e me tenha vergado perante um escritor exímio, não fiquei totalmente rendida como com o A Chuva Antes de Cair. Este último sugou-me o tempo, devorou-me a restante vontade de fazer outra coisa que não fosse traga-lo.

Uma história de afeição, de amor, de maternidade, de laços que se deslaçam e de como, de perto, ninguém é normal, como já dizia Caetano Veloso. Mas este livro é mais do que a história em si, é a forma como é contada.

E no fundo, é tolhido por uma normalidade gritante. Podemos estar ali, de uma forma ou outra, num daqueles sentimentos, por vezes contraditórios que as famílias possuem.

É tão bom!

Agora vou reler os dois que tenho em casa em busca da sensação que este escritor me causou. Na altura em que os li, estava a esmo, não era a altura certa.
 
 

domingo, 23 de agosto de 2015

Fiat 600

Há anos que ando atrás de um Fiat 600 para recuperar. Eu, que não ligo a carros, tenho por este uma ternura imensa. É fácil perceber de onde vem esta mania: a minha professora primária, a professora Cândida, tinha um, vermelho, o mesmo tom do batom que usava. Ela chegava naquele carro de meter no bolso e tudo parava.
Ela foi e continua a ser uma grande referência para mim. Referência de uma mulher que viveu para lá do seu tempo, rompendo com dogmas instituídos. No recreio ela ensinava-nos a pintar os olhos e os lábios e, num tempo em que tínhamos de arranjar homem relativamente cedo senão 'ninguém nos pegava' ela  dizia-nos que devíamos ir estudar  para a grande alface, conhecer o mundo para lá da aldeia e namorar muito. E só devíamos casar com homens que nos tratassem bem, muito bem e que ajudassem em casa. Ah, e lá ia dizendo que não havia aquela coisa de 'trabalhos domésticos são coisas de mulheres'. Ela foi a primeira feminista que apanhei pela frente. Fumava e conduzia com um enlevo que eu sonhava um dia imitar. E lá estava, nesse já longínquo passado, aquele carro lindo, que abria as portas de maneira distinta, pequeno, algo cómico e maneirinho.

Por causa dessa imagem, sonho com um Fiat 600 vermelho. E de quando em vez atrevo-me a ir aos sites onde se vende tudo e vejo-os lá, lindos, à minha espera, mas tão caros que fecho logo o site.
Não faz mal, há sonhos que não surgiram para se tornarem realidades Há sonhos que apenas pertencem à terra dos sonhos.
É mesmo assim.

Hospital de Tomar


Se há coisa que desejo antes de ir de férias para longe de casa, é que a minha cria não fique doente. Vivo a uma distância curta do médico dela, do hospital onde me sinto em casa, e longe disto, sinto-me sem chão. Ontem aconteceu o que temia: a minha filha acordou a meio da noite aos gritos com dores. Hospital mais perto - o de Tomar. Sabia que não tinha urgência pediátrica mas o de Torres Novas é bem mais longe e resolvi ver o que me diziam em Tomar e… bem, depois logo se via. Deparei-me com uma equipa, desde a parte administrativa até ao médico, do mais simpático, atencioso, disponível, profissional que encontrei. Céleres, senti-me ser levada ao colo. O médico, um brasileiro com muita piada, foi do mais competente que vi. E eu que sou especialista em hospitais, por onde passei grande parte da minha vida, gosto de dizer a verdade, porque é nestes espaços que a vida e a morte acontecem. São lugares de angústias e alegrias. Lugares que deviam estar acima das crises económicas e de cortes cegos e onde a negligência governamental muitas vezes se faz sentir.

São as pessoas, são sempre as pessoas que fazem a diferença.

sábado, 22 de agosto de 2015

A Titi dela

Não sou nada egoísta do afeto e amor da minha filha. Não tenho aquela característica de algumas mães que têm dificuldade em gerir o amor das crias por outras pessoas. Eu, se a miúda tiver mais e mais terra firme debaixo dos pés, mais gosto.
Gosto de saber que ela tem muitos colos, muitos tipos de gentes e de idades e de personalidades a gostarem verdadeiramente dela. Gosto de saber que não lhe falta apoio nem braços para a acolher.
Um desses braços e colo que mais gosto e que sei como certo, é o da Titi dela. E quando a Titi está por perto quere-a para tudo. E de certa forma a relação delas remete-me para a minha relação com a  minha sobrinha. E eu sei que o meu lugar é apenas meu.
Na vida dela, a titi tem um lugar único e que é apenas dela.
E eu gosto.
E eu aplaudo.
E eu alimento.