Páginas

sábado, 28 de novembro de 2015

Benjamin Clementine . coliseu

Ontem, num coliseu cheio e pronto a se deixar amar, um Benjamin Clementine obrigou-nos a fazer uma viagem ao mais profundo de cada um de nós. Lisboa deu-se e foi impossível conter a emoção. Ali, no meio daquela magia, olhei para o mar de gente e percebi um pouco melhor como é que a música pode curar tantas e tão cruéis feridas. Cada um de nós se agigantou e saiu de lá maior e mais capaz. percebi como o massacre no Bataclan foi a tentativa de um tiro certeiro nos nossos valores. Uma tentativa. Apenas isso. Porque se uns foram brutalmente assassinatos daquela forma, a música que diariamente ressoa por todas as salas de espetáculo do mundo mostra (lhes) que jamais nos conseguirão fazer optar pelo escuro e breu quando já provamos a luz e a magia. 

( Carla Neto, obrigada pela excelente companhia)


quinta-feira, 19 de novembro de 2015

os graus académicos


Tenho uma incapacidade grotesca com os graus académicos. 

Por norma o que me acontece é:



- Bom dia, dr. - digo
- sou eng - ouço


ou ainda pior


- bom dia eng.
- SOU ARQUITETO!


Lembro-me sempre de uma colega que, um dia, quando uma munícipe lhe perguntou como gostaria de ser tratada, ela disse:

- Por senhora. É que doutora qualquer uma pode ser, agora senhora...

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

paulo cunha e silva

Morreu paulo cunha e silva, o vereador da cultura da câmara do Porto. Dito assim, a morte parece até redutora. O que ela levou não foi apenas um homem, um político, um pensador. Não. Não foi isto que ela levou. Se assim fosse, respirava tristeza e seguia em frente. O que a morte levou deixou um buraco difícil de ser tapado na cultura portuguesa, na sociedade. Das frases que se dizem e que eu abomino está aquela de que ninguém é insubstituível. Eu já vi tantos insubstituíveis a deixarem órfãos lugares, pensamentos, sítios. Substituem-se, mas não colmatam a perda. Não acalmam a falta. Apenas se segue em frente como seguimos mesmo quando perdemos quem nunca é substituído. Segue-se porque a vida tem esse curso, esse caudal.
Tenho até vontade de rir. A primeira vez que ouvi falar de paulo cunha e silva foi por causa do futebol, aquele jogo que muitos intelectuais teimam em repudiar e que ele, um dos mais intelectuais deles todos, descreveu numa prosa que tinha tanto de poético como de estratégia. Era tão belo que aquilo que era de futebol parecia ser o retrato de um romance, a dança de uma sinfonia. Mexeu-me com a alma. Ele levava-nos para a frente com a certeza que agora não vamos mais para o sítio para onde só ele nos conseguiria levar. E aquele Facebook! Ah, o raio do homem sabia como por uma página a mexer. Ele fazia mais pelo Porto que a pagina da própria autarquia. Ele sabia os segredos da linguagem de proximidade. Ele mostrava-se sem de desnudar. Havia ali um ponto de equilíbrio que poucos possuem.

Hoje é um dia triste. Morreu quem nos faz falta. Morreu quem é insubstituível

© Por Manuel Roberto (fotografia) 

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Dos meus livros favoritos de culinária

Já vos aconteceu comprarem um livro de culinária pelas belas fotografias, pelo grafismo, pelas histórias que a autora conta de cada receita, ser um dos vossos livros favoritos e, no entanto, nunca terem feito uma única receita dele?
 
O meu livro de culinária favorito e uma pedra que minha filha apanhou para me dar

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Papos de anjo populares - chefe Silva

 
 
Nunca vou jantar a casa de amigos que não leve um doce. É uma forma de dizer que agradeço o convite. No entanto, se no fim do jantar a sobremesa não arrecada sorrisos ou uns suspiros, fico um pouco desiludida. Queremos sempre que gostem do que fazemos. Este sábado fui jantar a casa de uns amigos. O F., das duas vezes que veio a minha casa, fiz uma feijoada e um bolo de chocolate. Só ao fim de uns tempos é que vim a saber que ele não gosta, nem de feijoada nem de bolo de chocolate. Agora, sinto que tenho de o compensar. Sempre que jantamos todos juntos, faço um doce que ache que ele vai gostar. Para mim tenho um aliado infalível: os livros do chefe silva. Não há nada mais português. E de certa forma, abrir um livro dele é quase como ter a orientação da minha mãe.
Ontem quis fazer uns papos de anjos populares. A receita está escarrapachada no Doçaria Popular Portuguesa e é provavelmente o mais fácil dos doces.
Precisa de fios de ovos (eu gosto de os fazer mas há à venda em qualquer supermercado)
Ovos moles (também os faço mas também os arranjam em qualquer supermercado)
Manteiga (podia fazer mas não me dou a esse trabalho)
 
Pegue num pequeno monte de fios de ovos e faça um buraquinho no meio. Deite uma pequena colher de ovos moles e feche o ‘ninho’. Meta um pouco de manteiga numa panela e os ninhos por cima. Leve ao lume e deixe dourar. Retire e coloque-os em papel frisado.


os meus e os do chefe Silva