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domingo, 31 de janeiro de 2016

A vida de vendedora não é fácil.

Entrei na loja para comprar a base xpto:
- boa tarde, queria a base xpto.
E a menina questiona-me:
- não prefere a X?
- não, obrigada, quero mesmo a xpto, estou habituada a essa base.
- ah, mas olhe que a X é melhor.
E eu ainda muito simpática respondo:
- acredito, mas mesmo assim vou querer a xpto.
- não quer experimentar a X? Eu coloco num lado da face e poderia ver que é muito boa.
-muito bem, vamos lá experimentar essa maravilhosa base.
Lá colocou, deu-me um espelho e eu digo:
- pois, realmente continuo a preferir a xpto, mas esta é realmente boa. 
E ela sem desistir diz:
- eu vou colocar a xpto do outro lado da face e depois veja melhor.
Assim foi. Eu meia base X e meia base xpto. Olhei-me no espelho e tive uma vontade de rir, mas séria disse:
- continuo a preferir a xpto.
A rapariga respira fundo, olha-me com alguma pena e diz:
- bom, a senhora é que sabe, vai levar uma inferior, pelo mesmo preço e até se nota mais os danos da idade.
E eu pergunto:
- ai sim? Então que idade me dá a minha base?
E ela olha para o lado da face onde está a minha base( esquerda), olha para o outro lado da face onde está a outra base e diz:
- do seu lado esquerdo parece ter uns 38 e do lado da base X parece, no máximo, uns 35., senão menos.
Explodi de riso.disse-me:
- não sei qual a comissão que ganha para vender a X, mas merecia o dobro. 
Peguei na minha xpto, paguei e saí a rir-me e a pensar que na pior das hipóteses pareço mais nova do que realmente sou. Nada mau para quem está à beirinha dos 44. 

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

A pílula e a emancipação feminina

Ele dizia-me que os homens há muito que ajudam as mulheres na sua luta pela igualdade ‘não te esqueças, Carla, que foram os homens, os machos, aqueles seres com tomates que criaram a pílula para que vocês vivessem uma plena liberdade sexual’. Ri-me, mais por dentro do que por fora porque não sou dada a ironias despropositadas. Mas com calma, devagar, expliquei-lhe que a pilula não foi criada para que a mulher vivesse a sua liberdade sexual, ou para a levar para um lugar mais próximo da liberdade sexual do homem. Isso foi o propósito com que a mulher a utilizou e a absorveu a certa altura. No entanto, quando a Enovid-10 bafejou o mercado, nos idos anos 60 do século passado, com a pilula, fez imbuído no espirito do pós-guerra e da necessidade económica de ter as mulheres mais tempo no seu posto de trabalho. O propósito foi este. Apenas e unicamente este. Inicialmente a mulher utilizou a pilula para se inserir no mercado de trabalho e, consequentemente, evoluir profissionalmente desejando lugares que nunca antes ousara alcançar. Pelo caminho veio uma certa e, inicialmente, acatada liberdade sexual. Uma certa liberdade sexual que é, ainda hoje, questionada por muitos homens e, pior, por muitas mulheres. 

sábado, 23 de janeiro de 2016

A vida não acaba aos 50

"... Bonita e magra, de cabelo curto e cara lavada, não aparenta os atuais 59 anos, o que é ótimo, já que na Austrália é proibido um empregador perguntar a idade em uma entrevista, para não ser acusado de preconceito".
 In A Revolução das 7 Mulheres de Marcia Neder.
 
Importa refletir no desemprego de quem passou a fasquia dos 50. Hoje, com a longevidade atingida até aos 80/90, quem tem 50 está, na maior parte das vezes, cheia de conhecimento e capacidade de se envolver num projeto profissional. O que falta? Mudar as mentalidades dos empregadores.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

a vida de aldeia

Podem tirar a rapariga da aldeia, mas não tiram a aldeia da rapariga, principalmente quando a meio da manhã, entre o fecho de uma publicação e o planeamento de outra recebo a seguinte sms: 'Já nasceram os pintainhos da galinha que estava choca. Hoje a v. manda fotografias para a tua Maria ver'. Agora aguardo a foto para mostrar à minha filha. 


quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Os melhores homens são os feministas

Um amigo questionava, aqui há dias, no seu mural do Facebook, porque motivo a plataforma Maria Capaz ainda não tinha lançado um texto sobre a barbárie que aconteceu na noite da passagem de ano em Colónia, na Alemanha ( que entretanto escreveu). Desenvolveu-se um rol de comentários que, parece-me, mostra ou demostra como o feminismo no seculo XXI não só é necessário como não é, ainda, entendido. A palavra, a sua origem, pode levar a equívocos, mas ser-se feminista não é SÓ coisa de mulheres para com outras mulheres; ser-se feminista é coisa de todo e qualquer ser humano, mulheres e homens, para com as injustiças perpetradas a mulheres. À primeira vista pode não parecer uma grande diferença ou até que não é relevante, mas é uma diferença abissal. É a diferença entre ser apenas a plataforma Maria Capaz e outras de igual natureza a escrever sobre o que aconteceu na Alemanha ou serem todos aqueles que se indignaram, sejam mulheres ou homens, ou plataformas feministas, ou masculinas, ou gay, ou em prol dos animais e por aí fora. Todos. O feminismo não é SÓ coisa de mulheres. A primeira pessoa feminista que conhecei na vida foi o meu pai. Entre mim e o meu irmão não havia diferenças de tratamento e exigência. Talvez isso justifique, por um lado, esta minha veia de feminista - eu que até sou, de certa forma privilegiada. Por outro lado, encanita-me profundamente quando vejo rotularem o feminismo como uma preocupação de mulheres (já para não falar nas mulheres que não se identificam com o feminismo, como se isso não lhes dissesse respeito. É como aquela mulher que sabe que a colega ganha menos pelo mesmo trabalho, mas como ela é justamente paga a luta não é dela, não lhe diz respeito. Errado).
Parte do equívoco generalizado, é que isto do feminismo é só para de mulheres de esquerda e mulheres politizadas. Mentira. Eu sou a prova dessa mesma mentira. Vamos então refletir um pouco. 52 % da população mundial é constituída por mulheres, no entanto, os lugares de topo são ocupados em grande maioria por homens, ou como muito bem disse a nigeriana Wangari Maathai, vencedora do prémio Nobel da Paz ‘quanto mais perto do topo chegamos, menos mulheres encontramos’. Na maioria dos países do mundo, para o mesmo tipo de trabalho, os homens ganham mais. Ou seja, só ganham mais porque são homens. Repito, para o mesmo tipo de trabalho se for mulher, ganha menos. São as mulheres que mais sofrem e morrem às mãos dos homens. São as mulheres que perdem empregos quando engravidam. Não venham com tretas que a questão de género é uma não-questão. Sabem bem que não são tretas e os factos estão aí para prová-lo.
Há tempos fui fazer uma entrevista a uma mulher que lidera uma grande empresa e de forte componente masculina. Dizia-me: ‘se sorrio, sou uma tonta, se sou dura, sou mal fodida. Se é um homem, se sorri é um tipo simpático mas se é duro ele é assim, mas é um bom profissional’. É isto. É isto que temos e, pior, as mulheres são, muitas vezes, as mais cruéis para com outras mulheres.
Tenho uma filha. Tenho uma Maria que me questionava, do alto dos seus 5 anos porque não havia uma rainha maga e sim três reis magos. Sorri. Sei que ela, na sua inocência, nasceu a desejar ter um mundo equilibrado de soluções, de cuidados e as mesmas igualdades de oportunidades que os meninos que com ela partilham a creche. Não pedimos benefícios, mas igualdade. Parece tão fácil e o entanto, tão difícil. Igualdade.
Por aquilo que me é dado a ver nos meus quase 44 anos de vida, os melhores homens, os melhores pais, os melhores lideres, os melhores companheiros, os melhores amigos, os melhores irmãos são os feministas. Estou rodeada deles, até porque aqueles que se sentem intimidados pelas mulheres, bem, esses não me interessam.


sábado, 9 de janeiro de 2016

tatuagem

 
Estreei-me nas tatuagens em direto para a RFM com a minha homónima Carla Rocha. Agora ando louca para fazer mais uma tatuagem. Uma frase, uma simples frase. Quando a coisa não sai da cabeça, é hora de ser realizada.

domingo, 3 de janeiro de 2016

2016 sem açúcar

Primeira resolução de 2016 acaba por ir por água abaixo. Comi sete caramelos de seguida e tenho a boca tão doce e cheia de gosma que até me custa a engolir. 

Ainda me faltam eliminar mais umas quatro resoluções. Mais uma semana e está tudo como em 2015.