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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Gerontolescentes

Gerontolescentes é o conceito criado pelo Dr. Alexandre Kalache para descrever a faixa etária pós 65+ que se está a reinventar. Entrar na terceira idade não representa mais o que representava até aqui. Os novos idosos estão a virar a mesa, continuam cheios de projetos, ideias, vontades e criatividade. Não foi só a longevidade que mudou, com ela veio a vontade de se viver intensamente essa altura da vida. Uns adolescentes mais velhos, mas ainda assim cheios de vontade de mudar de paradigma.
Cada vez mais, a terceira idade é a idade de novos desafios e não das despedidas nos bancos de jardim. E ainda bem.


( Linda Rodin, meu icon de beleza... já tenho muitos cabelos brancos, já so me falta a sua idade)

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Carol

Entrei no meu dia de anos a ver o filme Carol, com uma enigmática Cate Blanchet. Acabou o filme e deixei-me ficar ali a remoer a história que é de duas mulheres que se encontram e se amam, mas podia ser de dois homens ou de uma mulher e um homem. É isto, o amor é o mesmo, na sua intensidade, no ciúme, no tremor, nas borboletas, na raiva, nos componentes normais que as relações costumam possuir. E sendo igual, questionamo-nos o porque de tão relutantemente ser difícil aceitarmos que dois homens ou duas mulheres se amem. porque é que achamos que o nosso amor é que é o certo? Pior, porque é que achamos que há amor certo e errado? 
Às vezes, perguntam-me: dizes isso, mas não preferias que a tua filha arranjasse um homem em vez de uma mulher? E a verdade é que me é completamente indiferente. Receio o que a sociedade ainda faz sofrer a quem ama de outra forma, mas é-me indiferente. Quero-a feliz. Apenas isso, feliz, até porque, aos 44 anos, sei bem o peso que a infelicidade pode trazer. Um peso que nos faz derrear. 
Carol é um belíssimo filme porque conta de uma forma singela que o amor, se for com respeito, é do mais belo que pode acontecer a dois seres. 
O resto, o resto é apenas a sociedade a estragar o que a natureza fez de forma perfeita.

Regressão, filme

Bons atores e maus argumentos não fazem um bom filme. é um facto.

domingo, 31 de janeiro de 2016

A vida de vendedora não é fácil.

Entrei na loja para comprar a base xpto:
- boa tarde, queria a base xpto.
E a menina questiona-me:
- não prefere a X?
- não, obrigada, quero mesmo a xpto, estou habituada a essa base.
- ah, mas olhe que a X é melhor.
E eu ainda muito simpática respondo:
- acredito, mas mesmo assim vou querer a xpto.
- não quer experimentar a X? Eu coloco num lado da face e poderia ver que é muito boa.
-muito bem, vamos lá experimentar essa maravilhosa base.
Lá colocou, deu-me um espelho e eu digo:
- pois, realmente continuo a preferir a xpto, mas esta é realmente boa. 
E ela sem desistir diz:
- eu vou colocar a xpto do outro lado da face e depois veja melhor.
Assim foi. Eu meia base X e meia base xpto. Olhei-me no espelho e tive uma vontade de rir, mas séria disse:
- continuo a preferir a xpto.
A rapariga respira fundo, olha-me com alguma pena e diz:
- bom, a senhora é que sabe, vai levar uma inferior, pelo mesmo preço e até se nota mais os danos da idade.
E eu pergunto:
- ai sim? Então que idade me dá a minha base?
E ela olha para o lado da face onde está a minha base( esquerda), olha para o outro lado da face onde está a outra base e diz:
- do seu lado esquerdo parece ter uns 38 e do lado da base X parece, no máximo, uns 35., senão menos.
Explodi de riso.disse-me:
- não sei qual a comissão que ganha para vender a X, mas merecia o dobro. 
Peguei na minha xpto, paguei e saí a rir-me e a pensar que na pior das hipóteses pareço mais nova do que realmente sou. Nada mau para quem está à beirinha dos 44. 

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

A pílula e a emancipação feminina

Ele dizia-me que os homens há muito que ajudam as mulheres na sua luta pela igualdade ‘não te esqueças, Carla, que foram os homens, os machos, aqueles seres com tomates que criaram a pílula para que vocês vivessem uma plena liberdade sexual’. Ri-me, mais por dentro do que por fora porque não sou dada a ironias despropositadas. Mas com calma, devagar, expliquei-lhe que a pilula não foi criada para que a mulher vivesse a sua liberdade sexual, ou para a levar para um lugar mais próximo da liberdade sexual do homem. Isso foi o propósito com que a mulher a utilizou e a absorveu a certa altura. No entanto, quando a Enovid-10 bafejou o mercado, nos idos anos 60 do século passado, com a pilula, fez imbuído no espirito do pós-guerra e da necessidade económica de ter as mulheres mais tempo no seu posto de trabalho. O propósito foi este. Apenas e unicamente este. Inicialmente a mulher utilizou a pilula para se inserir no mercado de trabalho e, consequentemente, evoluir profissionalmente desejando lugares que nunca antes ousara alcançar. Pelo caminho veio uma certa e, inicialmente, acatada liberdade sexual. Uma certa liberdade sexual que é, ainda hoje, questionada por muitos homens e, pior, por muitas mulheres. 

sábado, 23 de janeiro de 2016

A vida não acaba aos 50

"... Bonita e magra, de cabelo curto e cara lavada, não aparenta os atuais 59 anos, o que é ótimo, já que na Austrália é proibido um empregador perguntar a idade em uma entrevista, para não ser acusado de preconceito".
 In A Revolução das 7 Mulheres de Marcia Neder.
 
Importa refletir no desemprego de quem passou a fasquia dos 50. Hoje, com a longevidade atingida até aos 80/90, quem tem 50 está, na maior parte das vezes, cheia de conhecimento e capacidade de se envolver num projeto profissional. O que falta? Mudar as mentalidades dos empregadores.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

a vida de aldeia

Podem tirar a rapariga da aldeia, mas não tiram a aldeia da rapariga, principalmente quando a meio da manhã, entre o fecho de uma publicação e o planeamento de outra recebo a seguinte sms: 'Já nasceram os pintainhos da galinha que estava choca. Hoje a v. manda fotografias para a tua Maria ver'. Agora aguardo a foto para mostrar à minha filha.