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domingo, 13 de março de 2016

Assunção Cristas e os filhos

Quando jornalistas( mulheres) perguntam aos filhos de Assunção Cristas se têm orgulho na Mãe apesar das ausencias dela, percebemos que o jornalismo feito por mulheres ainda tem muito que andar. Andamos a tentar mudar a mentalidade dos homens e esquecemos que é no género feminino que está parte do problema. Como diz uma amiga minha 'há pessoas que só à chapada'.

Igualdade de género


Fui à sportzone comprar uns ténis para correr. Olhei para uns cinza e rosa da asics que gostei. Experimentei o número 41,5. Apertado. Perguntei se tinham o 42. Não, não tinham. 42 só em modelos de homem. Como assim, só modelos de homem? Ah, a partir de 41,5 é difícil modelos de senhora. Olhei à minha volta em busca da Fernanda Câncio. Olhei e nada. Queria tê-la ali para me ajudar. Com ela como cabecilha da revolução, sei que não haveria mais ténis de menina e de menino. Haveria sapatinhas rosa até aos 52. Por momentos vi a asics a pedir desculpas seguida pela sportzone e todas as marcas que insistem em achar que há coisas de meninas e meninos. Optei por comprar um modelo masculino. Estou arrasada. Não sei bem o que isso poderá fazer à minha condição de heterossexual. Vou estar atenta a todas as mudanças comportamentais que irei sofrer sempre que enfiar os ténis nos pés. Talvez venha a sofrer um género de metamorfose digna de Kafka. Não sei… irei dar notícias. Só não sei se será como Carla ou uma Carla reprimida.

sexta-feira, 11 de março de 2016

E depois da reforma?

Barbara Beskind, de 90 anos, foi contratada pela IDEO, a empresa que criou o primeiro rato para a Apple, para criar e desenvolver produtos para a população mais idosa. Desenvolveu a sua acuidade aos 8 anos quando criou brinquedos para que ela e os seus amigos pudessem brincar. Os pais eram muito pobres e estavam bloqueados até ao pescoço pela Grande Depressão. Quis muito ser engenheira mas não conseguiu porque era um curso vetado às meninas. Tirou Engenharia Doméstica. A vida correu bem, com umas patentes aqui e outras acolá até que se reformou. A dada altura, no auge da sua reforma leu, num jornal, uma entrevista do fundador da IDEO onde afirmava que a diversidade da equipa de design é fundamental para a empresa. Escreveu-lhe e falou de si mostrando-se disponível para um lugar na empresa. E ali está, com uma média de 60 anos a mais que os colegas, a dar cartas. O curioso é que ela tem degeneração macular e está quase cega, o que no seu caso é apenas um ligeiro contratempo.

Já vai sendo tempo de os Recursos Humanos repensarem as idades que colocam nos seus anúncios de emprego.


quinta-feira, 10 de março de 2016

dos nossos comentadores

Ando assim numa maré de alguma nostalgia. Talvez isso explique o meu mau feitio. E o meu mau feitio dá-me para discutir com a malta que vai para a televisão dizer umas coisas sobre muitos assuntos, não percebendo de nenhuma com profundidade. Quando estamos por dentro de um determinado assunto é que percebemos que a maioria dos comentadores das nossas televisões apenas possui o dom do vocábulo, da oratória, nada de grandes conhecimentos. 
Agora, quando eles aparecem na televisão mudo de canal para o Jim Jam. A minha filha agradece. 

terça-feira, 8 de março de 2016

Dia da Mulher

Eram 14h36 do dia 8 de março de 2010 quando soube, num simples telefonema para a clínica, que estava de bebé. E eu, que sou uma feminista aguerrida e sê-lo-ei enquanto as desigualdades coexistirem neste mundo, passei a dar a este dia um outro significado. Talvez tenha sido obra do Universo dar-me uma menina. E que menina! Vou dando-lhe as possibilidades de ser quem quiser ser: digo-lhe que todas as profissões são boas, que há o amor de menino com menina e de menino com menino e menina com menina. Que nada está mal desde que se respeitem. Que não deve apenas encanitar-se com as desigualdades que lhe mordem os calcanhares, que vê-las ou senti-las em outras pessoas é motivo de igual revolta e luta; digo-lhe que é bom ser mulher. Que a amo. Que a amo assim, sem tirar nem por, tudo o que a constitui. Que ela pode tudo, desde que se esforce. E se não conseguir, que não faz mal, é o caminho que vale a pena… Sei que se a educação não pode tudo, pode muito. E que é a educação que delineia parte do que serão no futuro. Por isso, neste dia, quem é mãe ou pai, se colocou qualquer coisa no seu mural sobre o Dia da Mulher, que esse não seja um gesto estéril na educação do seu educando. Que é em casa que mais pode fazer para que, num futuro próximo, as desigualdades sejam inexistentes. E que a minha Maria e outras Marias como a minha tenham as mesmas possibilidades, lutas, devaneios, estrutura profissional que os António e Maneis deste mundo.  


sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

À conversa com Francisco José Viegas e Pedro Lamares


    Se pudesse, se tivesse o mínimo poder sobre o tempo, tinha-o parado e ainda agora estaria lá, a falar de livros e de personagens. Mas não tenho, resta-me descalçar e entrar na memória de quando em vez e reviver o que já lá vai.







Isabel Moreira e o Tinder

Corre a noticia que a Isabel Moreira está no Tinder, e depois? Qual o problema? Será que não há um deputado macho, homem, com tintins que esteja no Tinder? E se está porque não é ele noticia? Uma cambada de puritanos mal---- (espaço para colocarem a palavra que vos aprouver), é o que é! E antes que me venham enxovalhar, informo que não, não estou no tinder mas gosto de ter a liberdade de poder vir a estar se um dia me apetecer sem que isso cause um coro de indignados e indignadas.