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sexta-feira, 20 de maio de 2016

falar de amor

Ela estava mesmo feliz. Mostrou-me o anel de noivado e o papel que acompanhava a caixinha de veludo. O anel era bem bonito, mas o papel tinha um coração e um smile a piscar o olho. Perguntei-lhe o que era aquilo. Ela respondeu-me que ele não era bom com as palavras. Mas que é terno e romântico. Manda sms cheias de corações e smiles a arrotar corações da boca. Uma ternura, o moço. Perguntei-lhe se ela não sentia falta de uma palavra. Uma misera palavra. Se não a irritavam os bonecos. Mas fiz mal, ela está na fase do encantamento. Tudo o que ele faz, é belo, os defeitos são maravilhosos. E os corações querem dizer que ele a ama. E muitos corações significam que ele a ama muito. Fogo, gosto bem mais do amor escrito do que o desenhado. Escrevam. A sério, escrevam. E mesmo que não tenham jeito, dêem um jeito que a coisa sai. Um pedido de noivado com um coração e um smile a piscar o olho?! Valha-me Deus! Eu sabia como dar troco, mas...

sexta-feira, 13 de maio de 2016

O meu avô Luís - Sofia Pinto Coelho

 Às vezes não sei o que fazer com aquilo que dos livros fica em mim. Li ‘O meu avô Luís’ em duas noites, quando a solidão me atacou os sentidos obrigando-me a ir para o meu canto ler.

O livro mostra mais do que à primeira vista parece quer mostrar. Um homem católico, conservador, fascista, do Estado Novo, com seis filhos, de família apaixona-se por uma modelo Norte Americana que conhece em Madrid. Vira a vida de pernas para o ar e tudo o que era em si certezas, transformam-se em dúvidas.
Sofia, jornalista, escritora, faz uma viagem em torno da sua família e é notória a sua busca da verdade não obstante de uma ou outra descoberta mais desconcertante.
Um livro maravilhoso que nos mostra do que o amor capaz e que, no fim, nos faz questionar esse mesmo amor.

agora este livro não me larga o pensamento 


terça-feira, 3 de maio de 2016

Margarida Marante era viciada em cocaína, e depois?

Há um certo equívoco sobre o que é uma biografia e o que não é. Se uma biografia não consta parte do todo que é uma pessoa, não é uma biografia. No limite será uma nota ou notas sobre partes de determinada pessoa. Nós somos um conjunto de qualidade e defeitos, vícios e virtudes. Somos seres profissionais e pessoais. Fazer uma biografia onde a parte pessoal não entra (como já ouvi pessoas de alto gabarito afirmarem na TV) ou retirar certos vícios (como a polémica que estalou agora com a biografia de Margarida Marante) não é um projeto sério. É dourar a pílula. O que é importante relativamente ao vício da cocaína da Margarida Marante é se esse vício existia ou não. O que se deve limar é se é boato ou verdade. Sendo verdade, porque é que não se devia referir a ele? Ainda temos de crescer um pouco no que às biografias dos nossos diz respeito. 

domingo, 1 de maio de 2016

Dia da mãe


Posso dizer uma coisa? Não ligo a ponta de um corno a dias de... Não ligo. Sou a mãe mais babada deste mundo e tenho na minha filha o meu maior tesouro. um tesouro diário, indestrutível, indefinível, imensurável e nosso. Não é um amor que seja de hoje. é desde sempre e para sempre. Este dia, tanto como filha orgulhosa da mãe que tenho, como mãe, orgulhosa da filha que possuo, não me diz nada. no limite, poderia comemorar este dia no dia em que a minha filha faz anos. Foi nesse dia que nasci como mãe. Hoje penso nas lutas dos trabalhadores e, desculpem o feminismo, na luta de tantas mulheres a igualdade de oportunidades e salariais num mundo que ainda é de homens. Sabiam que quando mais se sobre na hierarquia empresarial, menos mulheres encontramos? 7% é o numero de mulheres em cargo de topo. 7%. é disto que pretendo falar à minha filha quando ela tiver idade para entender. Até lá vamos utilizar o dia no parque, a cozinhar um dos bolos favoritos dela e a rir muito, como fazemos sempre que podemos.
 
 

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Da nossa medicina

Fui às urgências. Dei com um médico que precisava de um workshop intenso sobre empatia. Pensei que em Portugal deviam fazer como em Israel onde os alunos de medicina são obrigados a passar hora e meia por semana com idosos a ouvirem as suas queixas, as suas dúvidas, de forma a terem uma medicina mais humanizada. Nunca entendi porque se há de ser antipático se se pode fazer o mesmo com um certo grau de simpatia. Não entendo mesmo.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Jarros



Saltei o portão. Deslizei encostada ao muro. Apalpei os degraus e roubei estes jarros. Isto não se faz. Não há desculpas. Foi um ato feio. Mas são tão belos! Havia tantos em casa dos meus pais. De repente, senti que a minha mãe tinha entrado na minha casa e tinha desembrulhado um pouco da minha infância.



terça-feira, 12 de abril de 2016

E se a tua avó quisesse vestir umas cuecas fio dental?


O homem na casa dos 60 anos estava ao lado da sua mulher que teria igual idade. Ele via uma revista com mulheres em lingerie. Não conseguia esconder um certo sorriso que denunciava um ânimo interior. Olhei de soslaio para a revista. Vi miúdas giras em poses ousadas. Pensei no mercado da roupa interior e de como ele está virado para as mulheres jovens, como se a partir de certa idade só usássemos cuecas de gola alta e soutiens sem qualquer tipo de sensualidade. Ocorreu-me a coragem da marca brasileira, Valisère que convidou a cinquentona Consuelo Blocker para ser o corpo e rosta das suas peças. E que bem que ficou. Parece que é tempo de as marcas perceberem que, se calhar, a capacidade financeira é maior numa mulher de 50 que numa de 20 e que as mulheres de cinquenta também gostam de roupa sensual. ‘Ah!, mas alguma vez viste uma avozinha de fio dental’, estarão a perguntar. Pois, informo que sim, mas teve de o roubar à neta para não parecer mal quando pensou em adquiri-lo.

Vamos lá abrir as cabeças, ok?!