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quinta-feira, 30 de junho de 2016

Portugal vs Polónia

Em frente a casa dos meus pais há uma rua e durante a minha infância vi miúdos e graúdos a chutarem na bola, entre risos e desaforos. No fim, tudo ficava bem e não havia derrota que não passasse com uma fatia de bolo caseiro. Nunca me me atingiu a vontade de entrar no jogo, ficava de lado a gritar por quem me levava o coração. Acredito que, como eu, muitos de vós cresceram com a proximidade ao futebol. A bola não nos é estranha. Os objetos. As balizas. a linguagem. A terminologia. As fintas e os penaltis. Lembrei-me disto a propósito de hoje. Que ganhe Portugal mas acima de tudo que cá dentro sinta a leveza de, independentemente do resultado, continuar a sorrir e a encantar-me com tudo o que me rodeia. Como acontecia na rua dos meus pais, no futebol a feijões.

sábado, 18 de junho de 2016

O meu maestro, a lição

O Maestro Pedro Osório foi uma das pessoas que mais me marcou e que mais me inspirou. Há conversas nossas, no fim da sua vida, que me perseguem diariamente. A morte. Obrigou-me a falar da morte em vez de lhe fugir. E se a olharmos bem de perto, embora temível, há ali uma certa lição, um certo sentido para a vida. Tenho saudades dele. Mas como ele me disse no nosso café, na nossa mesa, com a sua mão trêmula sobre a minha: no fim, fazemos uma vénia, as cortinas fecham e muito em breve as palmas cessam.


quinta-feira, 16 de junho de 2016

Das pessoas mal dispostas

    Entrei na Padaria Portuguesa e sou atendida com um sorriso constante. A música popular portuguesa buzina aos ouvidos. Há boa disposição no ar. Parece-me que tem tudo para correr bem até que entra uma alminha mal disposta que critica a música, o café, a disposição dos bolos. Eu sorrio. Ele olha para mim e pergunta-me se me estou a rir dele. Respondo que não, que me rio da minha vida porque a dele, pelos vistos, só da para chorar. E sigo para a minha mesa a pensar que a malta anda tipo panela de pressão. Numa tristeza sem fim e que se instalou na pele. Sigo a ouvir as varinas do Tejo (música) e ainda o ouço: se as varinas fossem para um sítio que eu cá sei!

domingo, 12 de junho de 2016

Mistura de café

As vezes no meio do nada, lembro-me da chaleira minúscula que a minha mãe me deu. Já não a tenho mas não ganhei coragem para lhe dizer que ela já não existe. Minha mãe continua a dar-me uma mistura de café que ela faz. Aceito sempre porque vejo na mistura um ato de amor. Um gesto que acalento neste meu ser tão carente e triste em que me tornei.

sábado, 11 de junho de 2016

Sem ti, Inês de ana granja

Estou na feira do livro de Tomar e acabo de comprar um livro para a Aua. É uma história dolorosa mas bela. Triste e profunda mas tão genuína! É a história de uma mãe que perde uma filha mas os códigos de amor de uma mãe só outra mãe entende.

M Train de Patti Smith

A feita do livro de Lisboa é um flop. Comprei M Train de Patti Smith mais caro do que se tivesse comprado na FNAC. Mas  não consigo larga-lo. Vale cada tostão que dei por ele. Fogo, se vale!