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sexta-feira, 8 de julho de 2016

M Train de Patti Smith


Acabei o livro M Train de Patti Smith há duas semanas e ainda não consegui recuperar. Tentei que durasse muito, tentei ler devagar, tentei que o fim chegasse mais tarde, mas acaba. Tudo acaba sempre e agora sinto-me perdida nas páginas de outros livros que entretanto tentei pegar.

Mr Train não é um livro fofinho, ou sequer um romance e menos ainda um livro com uma história espetacular e, no entanto, não sendo nada disso, é, por outro lado, um livro maior. Patti fala dos seus dias, das suas horas, vasculha na cabeça memórias de outrora, do marido entretanto falecido, dos filhos, dos cafés, dos poetas que tanto gosta de dias cheios de nada e cheios de tudo.

Ela consegue falar de forma excecional de coisa nenhuma e é impossível, no fim, não se ficar órfã. Como eu estou

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Portugal vs Polónia

Em frente a casa dos meus pais há uma rua e durante a minha infância vi miúdos e graúdos a chutarem na bola, entre risos e desaforos. No fim, tudo ficava bem e não havia derrota que não passasse com uma fatia de bolo caseiro. Nunca me me atingiu a vontade de entrar no jogo, ficava de lado a gritar por quem me levava o coração. Acredito que, como eu, muitos de vós cresceram com a proximidade ao futebol. A bola não nos é estranha. Os objetos. As balizas. a linguagem. A terminologia. As fintas e os penaltis. Lembrei-me disto a propósito de hoje. Que ganhe Portugal mas acima de tudo que cá dentro sinta a leveza de, independentemente do resultado, continuar a sorrir e a encantar-me com tudo o que me rodeia. Como acontecia na rua dos meus pais, no futebol a feijões.

sábado, 18 de junho de 2016

O meu maestro, a lição

O Maestro Pedro Osório foi uma das pessoas que mais me marcou e que mais me inspirou. Há conversas nossas, no fim da sua vida, que me perseguem diariamente. A morte. Obrigou-me a falar da morte em vez de lhe fugir. E se a olharmos bem de perto, embora temível, há ali uma certa lição, um certo sentido para a vida. Tenho saudades dele. Mas como ele me disse no nosso café, na nossa mesa, com a sua mão trêmula sobre a minha: no fim, fazemos uma vénia, as cortinas fecham e muito em breve as palmas cessam.


quinta-feira, 16 de junho de 2016

Das pessoas mal dispostas

    Entrei na Padaria Portuguesa e sou atendida com um sorriso constante. A música popular portuguesa buzina aos ouvidos. Há boa disposição no ar. Parece-me que tem tudo para correr bem até que entra uma alminha mal disposta que critica a música, o café, a disposição dos bolos. Eu sorrio. Ele olha para mim e pergunta-me se me estou a rir dele. Respondo que não, que me rio da minha vida porque a dele, pelos vistos, só da para chorar. E sigo para a minha mesa a pensar que a malta anda tipo panela de pressão. Numa tristeza sem fim e que se instalou na pele. Sigo a ouvir as varinas do Tejo (música) e ainda o ouço: se as varinas fossem para um sítio que eu cá sei!

domingo, 12 de junho de 2016

Mistura de café

As vezes no meio do nada, lembro-me da chaleira minúscula que a minha mãe me deu. Já não a tenho mas não ganhei coragem para lhe dizer que ela já não existe. Minha mãe continua a dar-me uma mistura de café que ela faz. Aceito sempre porque vejo na mistura um ato de amor. Um gesto que acalento neste meu ser tão carente e triste em que me tornei.

sábado, 11 de junho de 2016

Sem ti, Inês de ana granja

Estou na feira do livro de Tomar e acabo de comprar um livro para a Aua. É uma história dolorosa mas bela. Triste e profunda mas tão genuína! É a história de uma mãe que perde uma filha mas os códigos de amor de uma mãe só outra mãe entende.