sábado, 23 de julho de 2016
Nouvelle vague
Aqui estou a ouvir nouvelle vague e a pensar que o raio da miúda de vermelho em cima do palco é daquelas que o meu tio Alberto apelida de 'mulheres que estilhaçam um gajo só com as pernas'.
A importância da música triste
Aqui estou no melhor festival dos tempos que correm e acabo de ouvir falar da importância suprema das musicas tristes: é que sem elas as musicas felizes perdiam importância.
#edpcooljazz
domingo, 10 de julho de 2016
ele morreu
Ele morreu. Ele tinha a mesma
idade do meu pai e eram amigos. E primos. Ele morreu e a sua morte apanhou-me a
meter um polvo ao forno, apanhou o meu pai a subir o Marão e o meu irmão numa
feira de vinhos. Meu pai ligou-me. Imaginei-o parado com uma vista soberba e a
dizer aquilo que é mais concreto: quando foi, a que horas é o funeral, e se eu
devia de ir ou não. Perguntei-lhe varias vezes como estava. Disse que estava
bem. Sei que com a morte dele o meu pai teve de se deparar com a sua própria morte.
E eu com a morte do meu pai. Desligou. Liguei ao meu irmão. Entre nós é mais fácil
falarmos de sentimentos… às vezes. No fim fui à varanda e chorei. Chorei sem
que a minha filha visse. Meu pai continuou a subida até ao Marão; eu continuei
a fazer o jantar e o meu irmão na feira. Não sei se no continuar da vida está a
nossa força ou a nossa fraqueza. Não sei…
sexta-feira, 8 de julho de 2016
M Train de Patti Smith
Acabei o livro M Train de Patti
Smith há duas semanas e ainda não consegui recuperar. Tentei que durasse muito,
tentei ler devagar, tentei que o fim chegasse mais tarde, mas acaba. Tudo acaba
sempre e agora sinto-me perdida nas páginas de outros livros que entretanto tentei pegar.
Mr Train não é um livro fofinho,
ou sequer um romance e menos ainda um livro com uma história espetacular e, no
entanto, não sendo nada disso, é, por outro lado, um livro maior. Patti fala dos
seus dias, das suas horas, vasculha na cabeça memórias de outrora, do marido entretanto
falecido, dos filhos, dos cafés, dos poetas que tanto gosta de dias cheios de
nada e cheios de tudo.
Ela consegue falar de forma
excecional de coisa nenhuma e é impossível, no fim, não se ficar órfã. Como eu estou
quinta-feira, 30 de junho de 2016
Portugal vs Polónia
Em frente a casa dos meus pais há uma rua e durante a minha infância vi miúdos e graúdos a chutarem na bola, entre risos e desaforos. No fim, tudo ficava bem e não havia derrota que não passasse com uma fatia de bolo caseiro. Nunca me me atingiu a vontade de entrar no jogo, ficava de lado a gritar por quem me levava o coração. Acredito que, como eu, muitos de vós cresceram com a proximidade ao futebol. A bola não nos é estranha. Os objetos. As balizas. a linguagem. A terminologia. As fintas e os penaltis. Lembrei-me disto a propósito de hoje. Que ganhe Portugal mas acima de tudo que cá dentro sinta a leveza de, independentemente do resultado, continuar a sorrir e a encantar-me com tudo o que me rodeia. Como acontecia na rua dos meus pais, no futebol a feijões.
sábado, 18 de junho de 2016
O meu maestro, a lição
O Maestro Pedro Osório foi uma das pessoas que mais me marcou e que mais me inspirou. Há conversas nossas, no fim da sua vida, que me perseguem diariamente. A morte. Obrigou-me a falar da morte em vez de lhe fugir. E se a olharmos bem de perto, embora temível, há ali uma certa lição, um certo sentido para a vida. Tenho saudades dele. Mas como ele me disse no nosso café, na nossa mesa, com a sua mão trêmula sobre a minha: no fim, fazemos uma vénia, as cortinas fecham e muito em breve as palmas cessam.
sexta-feira, 17 de junho de 2016
Subscrever:
Mensagens (Atom)


