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terça-feira, 9 de agosto de 2016

leonard Cohen e Marianne

Quem realmente me conhece sabe da minha paixão pelo senhor Leonard Cohen. Quando o vi ao vivo no Passeio Marítimo de Algés, achei que só faltou ele ter entrado no palco em cima de um cavalo branco, qual cavaleiro. Ali estava ele a convidar-nos para dançarmos até ao fim do mundo. Deixemo-nos de tretas, ele é a minha banda sonora dos amores e desamores de 44 anos de vida que já tenho em cima da alma.

Sabia que esta música tinha sido inspirada por uma amante que se transformou em sua amiga de longa data de seu nome Marianne porque o Leonard Cohen não é homem para subterfúgios. O seu a seu dono!

Ela estava a morrer e ele soube e escreveu-lhe uma carta. Cada um de nós, provavelmente, diria qualquer coisa como: 'vais ver que tudo vai correr pelo melhor’, ou entraria naqueles otimismos sem nexo que, quem está irremediavelmente doente já não acredita da misericórdia mundana e muito menos num milagre. Mas ele não. Ele desejou-lhe boa viagem, naquela que seria a sua última viagem. E disse que em breve ele se lhe juntaria.

Em tempos disse e volto a dizê-lo: este homem merecia morrer em cima de uma mulher. Apenas isto!


So long Marianne!


sexta-feira, 29 de julho de 2016

dos amores paternais


 

Estava no supermercado na zona dos iogurtes e ouvi o senhor, idoso, um pouco surdo (talvez isso justificasse ter o som tão alto) dizer para o telemóvel:

- Mas filho, vens mesmo? É que da outra vez disseste que vinhas e não apareceste.

 E ouvi:

 - Vou pai, vou.

 E o senhor continuou:

- Eu sei que o teu prato não fica tão bem como a tua mãe fazia, mas...

- Pai, já disse que vou. Para de insistir.

- Está bem, filho, vou comprar os ingredientes e esperar que apareças.

 

Não sei o antes. Não conheço o senhor. Não conheço o filho. Apenas me comoveu aquele homem, que tremia e andava com dificuldade a tentar convencer o filho a ir jantar o prato que um dia, a mulher e mãe, fez com preceito. Nem sei por que motivo este diálogo mexeu comigo. Não sei... Relembro o dia longínquo, em que a minha mãe se encontrava internada com gravidade e o meu pai, sem o mínimo saber e jeito para a cozinha, fez uma massa com carne. Quando me sentei à mesa a massa era aletria. Comi até ao fim, comovida com aquele jeito que ele tem, meio frio e distante de ser, em me agradar, em me dar um certo colo, em transformar a ausência da minha mãe em algo mais suportável.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Os filhos dos amigos

Enquanto cantava para o meu querido Vicente, relembrava quando a minha filha era assim, mínima, e as suas mãos cabiam nas minhas, e o meu colo era mais do que suficiente para a suster. Ainda hoje a embalo, lhe dou colo, mas a cada dia que passa, ela já sobra. Nas minhas mãos so cabe uma mão, no colo só cabe encolhida. Cresce assim, enquanto pestanejo. Tinha o meu Vicente ao colo e pensei nos filhos que um dia sonhei ter e que dos sonhos de múltiplos desembocaram apenas num. Mas é um filho (filha)milagre. Desmesurado. Gigante. E enquanto a minha filha me ensina diariamente a amar sem limites, a focar no que realmente é importante; os filhos dos meus amigos ensinam-me que não precisam de sair de mim para os amar assim, tanto!

segunda-feira, 25 de julho de 2016

as redes sociais...

Mantenho parte da minha sanidade mental dando pouca importância ao que pelo facebook se vai passando. Isto dos amores e desamores pelas causas são passageiros e, como tal, não me indigno com absolutamente nada do que por aqui se vai dizendo. Até porque a minha vida é fora do computador. Como tal, quando vi esta imagem, sorri, pensei o quanto ela é profundamente errada e segui. Mas depois algo me fez voltar atrás. é que eu serei mais a senhora da direita do que a da esquerda. Não sei da dimensão cultural de uma ou outra, mas não é saúde que aqui está espelhada, nem sequer níveis intelectuais, sentido de humor, senso de pertença à sociedade ou preocupação ambiental e social... apenas espelhará uma forma de estar. Para rematar, a minha mãe é mais a da direita e ela dá um bailinho sobre a vida a muitas da esquerda.

 Parece-me fundamental não confundirmos abdominais com saúde, seja ela física ou mental.


domingo, 24 de julho de 2016

Acordar lentamente

A cozinha relaxa-me. Às vezes também me irrita. Mas quando combino algo, quando saio do registo de sobrevivência diária, gosto muito de me perder nos tachos.
Hoje tinha um pequeno-almoço reforçado combinado. Dão o nome de brunch mas a verdade é que toda a vida foi para mim um pequeno-almoço de fim de semana, quando se acorda tarde e de forma lenta. Quando quase nos recusamos a sentir o tempo passar. E vai-se coexistindo entre as lides domésticas, os livros e filmes. 
Hoje tinha combinado um pequeno almoço. Soube tão bem! 

sábado, 23 de julho de 2016

Nouvelle vague

Aqui estou a ouvir nouvelle vague e a pensar que o raio da miúda de vermelho em cima do palco é daquelas que o meu tio Alberto apelida de 'mulheres que estilhaçam um gajo só com as pernas'. 


A importância da música triste

Aqui estou no melhor festival dos tempos que correm e acabo de ouvir falar da importância suprema das musicas tristes: é que sem elas as musicas felizes perdiam importância. 

#edpcooljazz