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sábado, 29 de outubro de 2016

Bolo mousse de chocolate com morangos ( cuidado)

Bolo mousse de chocolate com morangos " morangos em outubro?" Perguntou a minha mãe. Afirmei e ela, do outro lado do telefone, metida entre os vales do Douro, afirmou " depois queixam-se que cada vez há mais cancros e doenças e assim...". Quem não deu o Nobel da medicina à minha mãe não sabe o erro que cometeu!


Aniversário . Dia de se comemorar o estar-se vivo e estar-se bem



A feijoada está por sua conta e risco. A mesa está posta. Deixei na cozinha o meu silêncio e angústia e desato a língua, a alegria e a graca de se estar vivo a partilhar este tempo e este espaço com quem mais gostamos. 


sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Das nossas noites de sexta

Aos sábados a minha mãe chamava-me para a ajudar a fazer um bolo. Era o bolo da semana, invariavelmente um de laranja, com as laranjas do quintal. Não falávamos muito, mas partilhávamos uma cumplicidade que tem na cozinha o ambiente certo para florir. A minha filha adora a cozinha. Ainda agora me dizia: mãe, posso bater as "algemas" em castelo? Pode, claro. 


terça-feira, 4 de outubro de 2016

Memórias de uma vida consentida . Helena Sacadura Cabral

Hoje é dia 4. Esperei por este dia com uma certa ansiedade. Saía o livro de Helena Sacadura Cabral. Já o tenho e agora desejava que o mundo ficasse em suspenso só para o ler. O jantar. Os banhos. Os telefonemas. As conversas. Os amuos. Tudo ficasse para amanhã, depois do ponto final. 

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

a criar memórias


Não há vez alguma que não faça um bolo sem pensar na minha mãe. Não que ela fizesse muitos, mas quando os fazia, havia um toque, uma magia que busco em todos os que faço sem, no entanto, conseguir encontrar. Na verdade, ando sempre em busca de algo que ficou lá atrás. E isso não é bom. Não faz bem. Talvez isso diga mais de mim do que todas as restantes características. A vida é como conduzir, se olharmos sempre pelo retrovisor podemos bater. Tento apenas ‘deitar um olho’, mas ainda não consigo. Se ao menos a psicoterapia fosse mais barata!

A minha filha convidou a sua amiga do peito a passar o fim-de-semana aqui em casa. Fiz o simples bolo de natas que elas, entre o chá das bonecas e o leite da noite, deitaram abaixo. Sei que estou a construir memórias. Sei que estou a deixar na sua mente sementes de sabor.  Só espero que sejam libertadoras.



domingo, 18 de setembro de 2016

a pele do lagarto


 Uma vez, na casa dos meus pais em Trás os Montes, vi uma pele oca de um qualquer lagarto. Foi estranho, porque aquilo não era mais do que um saco, escamoso, que o lagarto deixou para trás. Certamente um renascimento, um amadurecimento, mas ainda assim uma pele nojenta. Em algumas alturas de mudança relembro aquela pele, e sigo em frente deixando também eu algo para trás. Deve ser assim com todos, mas há em mim um sofrimento austero por algumas etapas que a vida me obriga a passar.

Fui leva-lo ao aeroporto e na 2ª circular os aviões passaram mesmo roçando a cabeça. E a vontade que tive de estar num deles, não de volta mas de ida.

Acho que o lagarto deve ter feito as malas e ido viajar. Eu pelo menos precisava disso. Precisava mesmo. Deixar a pele para trás e ir…

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

das pessoas preconceituosas e os manuais escolares gratuitos


Uma amiga teve hoje uma reunião do primeiro ano do filho na escola onde entrou. Na sala estão 26 miúdos. Dos 26 miúdos,  a minha amiga e outra mãe quiseram os manuais gratuitos. As restantes, muitas com sinais exteriores de pobreza, em alguns casos, dramática, rejeitaram esta ajuda. A autarquia a que pertence esta escola entendeu oferecer um kit de material. Todas o recusaram, menos estas duas mães, porque o material, segundo uma 'não era de alta qualidade'. É verdade que os manuais são emprestados. Mas também é verdade que para o ano já não serviriam. E é verdade que devem ser entregues em condições para transitarem para outros miúdos. Acho bem, ajuda os miúdos perceberem que devem respeitar o material escolar.

 Há uns anos, na minha aldeia, havia uma senhora que quando estava na Suiça aceitava as benesses que o Estado Suíço oferecia, tais como luz e água a baixo custo porque ela tinha mesmo necessidade. Cá já não aceitava porque, segundo ela, não era uma coitadinha.

 Somos um país de gente preconceituosa.