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terça-feira, 10 de janeiro de 2017

dia 10 de 2017



Discutiam carros. Uma disse:


- a minha carrinha Peugeot é confortável.
 A outra disse:
- desculpem mas o meu corsa é mega económico.
 A primeira ainda rematou:...
- se não tivesse a peugeot queria mesmo um audi igual ao da minha mãe que anda para caraças.
 E eu respondi:
- Acabei de fazer uma mudança de casa num mini...


Ganhei!

sábado, 7 de janeiro de 2017

Dia 7 de 2017

Meti uma máscara de argila. Minha filha olhou e perguntou o que era aquilo que eu tinha na cara. Expliquei-lhe que era uma máscara para parecer mais nova. Após meia hora tiro a máscara e ela olha e diz:

- mãe, a tua máscara não funciona! 


quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

dia 5 de 2017


«dona, é nesta televisão que qué a boxi?», sim, disse ao moço que instalou os mil canais infantis para a miúda e os filmes para mim. Sei que tenho de comprar uma televisão decente. Mas empurro com a barriga essa necessidade e faço de conta que aquele quadrado é o dobro (triplo) do que realmente é. De cada vez que a miúda me pergunta quando é que compro uma televisão que ela consiga ver em condições, eu penso que prefiro uma viagem. Falta-me a cura para o meu mal. Falta-me Florença. Queria lá regressar, curar-me e fortalecer-me. Já lá fui três vezes. Em nenhuma outra cidade me sinto tão plena e sólida como quando passeio nas margens do rio Arno, ou quando me sento numa esplanada a ver o mundo passar na companhia de um verdadeiro cappuccino. Tudo ali me encanta e enternece. E sou eu, numa plenitude que raramente encontro neste dia-a-dia que carcome e corrói. Quando cerro os olhos e ouço o italiano vulgar de boca em boca, soa-me à mais bela melodia… e até os traços de Botticelli, que pouco me dizem, parecem fluir para dentro do meu cérebro. Televisão ou Florença? Ando nesta luta e temo que a viagem ganhe terreno. Sonhei que estava numa esplanada, com uma manta nas pernas, um copo de chianti  na mesa e eu só, só a pensar no que ficou e no que, de tudo o que foi o que é que quero levar para o futuro. Deixar o que tenho de deixar. Levar o que tenho de levar. É tão fácil enchermo-nos de necessidades inúteis. Carregamos fardos que não nos elevam. Preciso dessa reflexão. Minha filha prefere a televisão. Ela, certamente ganhará. Mas um dia regressarei a Florença. Não será este ano, mas voltarei.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

dia 4 de 2017


A hora de acordar é a mesma e os meus rituais também. Tomo banho, visto-me e arranjo esta cara que já marca o tempo numa meia hora controlada milimetricamente. De seguida acordo a minha filha como sempre fiz e temos as conversas que ela dita. Tomamos o pequeno-almoço na companhia do Jim Jam e o meu derradeiro mimo é vestir-lhe os vestidos que ela gosta (leia-se os mais pirosos). Entro no mesmo carro e levo-a à mesma escola na companhia da mesma estação de rádio onde uma Carla Rocha eleva uma Renascença conservadora para um lugar muito mais apetecível e animado. Pelo caminho vejo a mesma senhora a passear um cão que me parece já velho. No cruzamento do Parque dos Poetas já sei que apanho trânsito. Fujo aos semáforos, manias instaladas na minha pessoa. Estaciono no mesmo sítio de sempre e levo-a de mão dada até à escola. Beijo-a e digo que a amo. Ela a saltar e a cantar entra na sala e eu regresso ao carro. Arranco e cinco minutos depois estaciono no meu local de trabalho. Meto o dedo na máquina que me enoja e lavo-o de seguida. Ligo o computador e faço o chá. Lúcia-lima. Enjoei do chá verde que afinal não emagreceu. Deve ser dos enchidos e queijo que ingiro. E do chocolate. Sei lá… Vejo os emails e respondo aos urgentes. O dia entrou na sua velocidade cruzeiro. Percebo que faço tudo, mas tudo igual ao antes e, no entanto, tudo  está tão dolorosamente diferente.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Dia 2

Não comi as doze passas, não fiz projetos para este ano, nao usei cuecas azuis, nao saltei da cadeira e quando bateu a meia noite estáva a dormir. Não tenho imagens cheias de amizade e festa, e reu-beu-beu pardais ao ninho, para mostrar. por isso, não me perguntem quantas resoluções de ano novo já deixei para trás ao fim de 48h a viver o 2017. Não tenho resoluções. Não pretendo acabar com o açúcar que ingiro, nem com os enchidos (ainda sonho com presunto espanhol), nem me vai dar para começar a fazer ginástica. Muito menos correr no calçadão português. Algo me diz que os vicios que possuo se acentuarão. Estou em crer que devia ser banida das redes sociais... deixo à vossa consideração.

domingo, 1 de janeiro de 2017

1 dia de 2017


Viver ao pé de um hotel é espetacular. Mesmo que não se queira festejar a passagem de ano, a música brasileira ‘pirilampo, pirilampo, porque brilhas tanto assim, vem pirilampo brilhar perto de mim’ parece que acontece dentro do quarto. Não há nada mais irritante do que musica brasileira num cérebro em obras, num espirito atormentado. Mas à meia-noite, o fogo-de-artifício fez tudo valer a pena. Minha filha abriu a janela e de boca aberta olhou para toda aquela explosão de cor no céu e os seus ah! e oh! disseram-me que ainda tenho o mais valioso, ainda pode tudo acontecer, ainda posso ser feliz, basta estar atenta à magia que existe à minha volta. Foi um mini-fogo da Madeira para nós, que estávamos a ver de camarote e pijama. O encantamento dela fez-me ir até à Régua e ao fogo-de-artifício que era lançado no rio numa das noites da festa popular que tem lugar em agosto. Lembro-me que pedia ao meu pai para me levar e durante o tempo em que o som e as cores dançavam no céu e refletiam na água do magnífico Douro, eu calava-me e ficava ali a ver uma certa magia que me elevava. Ontem a minha filha fez-me recuar à minha infância e quando lá cheguei prometi àquela carla pequenina que tudo iria fazer para que este 2017 valesse a pena e tivesse inúmeros fogo de artificio.
o nosso chocolate quente

Grande hotel Real Oeiras! é assim mesmo, continua a animar o bairro.

sábado, 31 de dezembro de 2016

até sempre, 2016


Se fizer um balanço de 2016 desmancho-me. Não preciso dizer o que correu mal porque sei que nunca vou esquecer. Foi, de longe, o meu pior ano de sempre. No entanto, hoje, de certa forma, estou apaziguada. Não sei como. Divido o sofá com a minha filha, já estamos ambas de pijama, são quase seis da tarde do último dia de 2016, acendi a lareira pela primeira vez nesta casa, a mini-televisão está ligada mas sem som, escrevo-vos e nem sei quem são vocês, mas a verdade é que este quadro, que podia ser um verdadeiro quadro de miséria na véspera de ano novo, é um quadro cheio de paz e serenidade.

O que me tem custado mais, não é o fim de algo, é a descrença no amor que esse fim me trouxe. Faço o luto de alguém que foi romântica quase 45 anos. Acreditei mesmo no amor. Mesmo. E hoje quando penso nisso dá-me uma certa vontade de rir. Já não acredito. Mas mais do que nunca, acredito na amizade. O fim do amor trouxe-me a certeza da amizade verdadeira. Encontrei as pessoas certas. As minhas pessoas. E são enormes. São gigantes, são elas que não me permitem sentir só. Não me permitem sentir aquela solidão ensanguentada que o fim de um amor traz. E como tenho essas pessoas, este sofá, esta lareira, esta mini televisão e ESTA FILHA, sinto que também tenho paz.

Por agora esta paz basta-me. Adeus 2016. Até sempre.