segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017
Às vezes a arte é inacessível
Ontem, na loja da Gulbenkian, vi esta linda mala inspirada na obra de Amadeu De Souza Cardoso. Também a arte pode ser moda e a moda ser arte. Não pode é haver salário de funcionária pública pelo meio. #gulbenkianfoundation #amadeusouzacardoso
domingo, 5 de fevereiro de 2017
Almada Negreiros
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017
ao 33 dia de 2017
Saí do trabalho. Das
entrevistas. Da edição. Esgotada que ando com as palavras resolvi sentar-me no
restaurante a cheirar a cerveja, típica das marisqueiras. Pedi uma imperial e um
prego. Fiquei a ver, eles e elas, em par, a entrarem. Ou eles em grupo. Nem uma
outra Ela para fazer parelha comigo. Talvez isso justificasse os olhares de
pena e desconfiança para comigo. E eu estava bem. O prego devidamente batido
desfazia-se na boca. A imperial suficientemente fria, escorregava bem. Não tinha
a minha filha naquela noite. Não me apetecia a cozinha. Entrei na marisqueira a
pensar no prego. Olho para os que chupam os camarões com um barulho que denota
prazer. não me incomoda. e chupam os dedos. e pegam no telemóvel com as mãos a cheirar a marisco. há olhares para mim, uns frontais e muitos de soslaio. Comecei a imaginar
o que é que, os que olhavam para mim, pensariam da minha vida. Que não posso
estar sozinha. Que nenhuma mulher pode estar sozinha. Muito menos numa marisqueira. Pedir uma imperial, ah, sacrilégio. Num mundo que anda isolado,
cheio de casais abandonados a uma solidão que carcome, não se aceita quem opte
por estar sozinho. As pessoas já pouco falam. Há uma solidão latente no ar. Mas
não suportamos ver uma mulher sozinha. E se ela está sozinha não pode estar
bem. Em paz. Não pode…
Mas pode.
Ainda pensei pedir
uma segunda imperial, mas de alguma forma o frio da noite foi mais apelativo.
Sai, caminhei para o carro com a cara enfiada na minha écharpe e fiz o caminho
a pensar no livro e na cama que me esperava em casa.
terça-feira, 31 de janeiro de 2017
dos meus medos
Deixei, na outra casa, a
primeira vez que ela sorriu. O seu primeiro gatinhar. As horas que passávamos de
mãos dadas na sala, eu no sofá, ela na sua alcofa, a música muito baixa e o sol a
entrar ao de leve. Por lá ficou o seu primeiro quarto, primeiro sem nada,
depois com tudo. O seu primeiro sorriso, o seu riso, o seu gargalhar. Ficaram
lá, e eu sei exatamente onde, a primeira papa, a primeira sopa. Por lá ficaram
os seus desenhos nas paredes. Deixei para trás a sua casa de banho cheia de
bonecada. O seu primeiro dente. As noites mal dormidas e as noites dormidas por
inteiro. Por lá ficaram os seus primeiros 6 anos, que passamos a dois e a três,
a três e a dois. As vezes em que ela rodopiava ao som da música. Os seus pequenos-almoços
com a sua amiga Francisca na varanda. Ficou na outra casa a sua cama de
crescida, a sua escrivaninha, os seus livros e os seus bonecos. Ficou por lá as
nossas histórias contadas em surdina, os risos de horas sem fim, a alegria de a
ver chegar cheia de novidades. Ficou por lá o seu primeiro balbuciar, as suas
primeiras palavras, as frases pela metade e as frases por inteiro. Os seus aniversários,
as horas que passei na cozinha para receber os seus amigos.
Cada um de nós podia ter ficado. E cada um de nós podia ir embora. fui eu. E indo, encontro-me sangue, completamente em sangue. Em carne viva.
Cada um de nós podia ter ficado. E cada um de nós podia ir embora. fui eu. E indo, encontro-me sangue, completamente em sangue. Em carne viva.
Perguntam-me: és ligada aos objetos,
às coisas? Sou. Sou ligada às coisas que contam a nossa história.
E como custa ir em Frente
despida de objetos, da casa que os encerra, da casa que nos conta e receosa que um dia a memória se apague e que nada em mim reste destes maravilhosos 6 anos.
domingo, 29 de janeiro de 2017
o meu fim de semana resume-se a... queijo
Sexta feira fui comprar espinafres para uma sopa e comprei um queijo amanteigado de azeitão. Cheguei a casa, peguei num copo de vinho tinto, peguei no queijo e jantei. Sábado fui almoçar a casa de uns amigos. Tinham um belo queijo da serra, amanteigado (novamente esta palavra... o blogue é meu e por isso escrevo-a as vezes que quiser), a tornar-se liquefeito ao pé da lareira, para que fosse devorado como entrada. Foi. Jantei em casa da minha amiga Marta (esta lindona) uns belos scones, uns ovos mexidos e queijo. Hoje, domingo, houve uma reunião de trabalho em minha casa. Fui comprar queijo de azeitão (é realmente muito bom) para receber as minhas amigas. Saí à tarde para um belíssimo espetáculo no CCB (um Mozart divinamente tocado e cantado) e, agora, cheguei a casa e, imaginem, cheirava-me a queijo. Saí à pressa e não arrumei o sacana. Agora estou a escrever-vos e estou na companhia do meu queijo. Tenho de acabar com ele. Se assim não for, acredito que acordo a meio da noite e assalto o frigorifico e saído do frio não é tão bom. Está mole, com a textura de uma mousse, um sabor decadente, e barra-se como se fosse manteiga em dia de verão. As tostas são integrais. Só para alívio da consciência.
Sim, eu sei, o meu colesterol deve estar a bater nas nuvens. Mas o meu corpo é esperto, ele saberá entender este excesso. Preciso do pecado da gula para colmatar os outros que não vivo. ele, o corpo, sabe que é uma fase. uma dolorosa e estranha fase, mas apenas uma fase.
Um daqueles grandes livros
Lúcia Berlin- manual para mulheres de limpeza, com 50% de desconto no continente. Depois não digam que não avisei. Um dos livros que me desassossegou no ano passado. E isto é um grande elogio e feito.
sábado, 28 de janeiro de 2017
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