quarta-feira, 28 de junho de 2017
eu ao volante
Sabem aquela altura em que chegas a um cruzamento e do outro lado também se aproxima um carro com uma senhora e Olhamos uma para a outra na certeza porém que nenhuma sabe quem tem a prioridade? Sorri e indiquei que podia passar. Ela faz o mesmo. ficamos paradas a olhar uma para a outra. Insisti para ela avançar. Ela avançou e disse adeus. Adoro quando as duvidas acabam em bem.
domingo, 25 de junho de 2017
O meu sofá
A lotação no meu sofá está lotada. Elas escrevem as tendências deste verão. Uma diz que são as calças rotas e a outra diz que são os vestidos com folhos. Sobre as pessoas que gostavam que batessem à porta, uma queria a Ana Montana e a outra a Cristina Ferreira. E a música que mais gostam, varia entre um Jose Cid, david Bowie e o despacito. Há sítios espetaculares por este mundo fora, mas em nenhum há um sofá com este.
sexta-feira, 16 de junho de 2017
Lagos do meu coração
Estar com a minha filha. Beber um copo com a S. Falarmos de tudo e de nada. Não ter horas para nada. Dormir muito. Comer pouco. Nadar até querer ver Marrocos. Ir ao mercado de Lagos ver dos peixes mais belos que já vi. A arte pública ao alcance de todos. Apanhar conchas. Muitas. Ansiar pelo senhor das bolas de Berlim com a mesma gana que esperava os namorados quando era uma adolescente. Tudo isto me ajuda voltar a ser alguém com o riso fácil.
Estes dias valem ainda mais do que as fotografias querem fazer valer.
quinta-feira, 8 de junho de 2017
a casa da árvore 1
Aluguei a casa a um senhor ‘de
palavra’. Daqueles que ‘assino o contrato porque agora se faz assim, mas a
minha palavra é só uma’. Um homem que sendo mais velho que o meu pai tem, tal
como ele, aquela forma de ser que nos dá confiança. Não há ali a mínima dúvida
de caracter. Não há como facilitar naquilo que diz. De cabelo branco e olhos
nos olhos, explica-me as regras. E eu confio. E eu podia não ter assinado o
contrato. Sei de que massa ele é feito. E estranho. Estranho porque das mil
casas que vi, da quantidade de senhorios possíveis com que me deparei, em
nenhum vi aquele caracter. Aquele olhar. Aquela força que só alguns homens
possuem. ‘Homens de antigamente’, dizia-me uma amiga. Sim, é isso. E é pena que
seja isso. Que hoje não encontremos mais exemplares destes na malta da minha
idade, ou nos mais novos, ou nos mais velhos. Há-os. Mas poucos.
E sim, vou mudar-me para A Casa
da Árvore.
quarta-feira, 7 de junho de 2017
a casa da árvore
nunca fui feliz nesta casa e não me imagino a sê-lo. desatei à procura de uma nova casa numa altura onde, parece, que o mundo e arredores descobriu Lisboa e periferia. A minha decisão de mudar foi toda numa altura onde o resultado de conseguir algo foi muito mais difícil do que poderia imaginar. mas encontrei. E encontrei a casa que me diz que, talvez ali, possa voltar a sorrir. É a minha casa da árvore. Estou tão entusiasmada que até me apetece mudar o nome deste blogue para A Casa da Arvore. Tatuar A Casa da Arvore no meu ombro. Fazer aletria e colocar, em letras primorosamente feitas a canela: A Casa da Arvore.
na verdade, não há outra hipótese do que tentar ser feliz ali. Não há. não há mais sitio onde possa ser. estou oca como pode estar uma galinha pronta para o recheio. oca e preciso voltar a encher. encher do que gosto. da musica. do cinema. dos livros. da minha comida. de uma cozinha onde me sente na bancada a beber um copo enquanto espero que o forno apite. preciso de me reconstruir. fazer jantares para amigos. para mim, para nós as duas. habituar-me aos novos sons.
vou viver para um género de vivendinha, sem ninguém por cima nem ninguém por baixo. eu, ela e a arvore.
chega perfeitamente. É lá que vou sentir vontade de aqui vir mais vezes. é lá.
na verdade, não há outra hipótese do que tentar ser feliz ali. Não há. não há mais sitio onde possa ser. estou oca como pode estar uma galinha pronta para o recheio. oca e preciso voltar a encher. encher do que gosto. da musica. do cinema. dos livros. da minha comida. de uma cozinha onde me sente na bancada a beber um copo enquanto espero que o forno apite. preciso de me reconstruir. fazer jantares para amigos. para mim, para nós as duas. habituar-me aos novos sons.
vou viver para um género de vivendinha, sem ninguém por cima nem ninguém por baixo. eu, ela e a arvore.
chega perfeitamente. É lá que vou sentir vontade de aqui vir mais vezes. é lá.
terça-feira, 6 de junho de 2017
Nada
Há dias difíceis. Uns colados aos outros. Um comboio de dias maus, que nos batem e atiram ao chão. Depois há um livro. Um vinho. Qualquer coisa pequena. O sorriso dela. Aquelas uvas. Os morangos a saberem a morangos. As amigas juntas na dor. E, de repente, tudo muda. Fica-se melhor. Um pouco melhor.
quinta-feira, 25 de maio de 2017
Pataniscas de bacalhau
Com a idade dela não gostava de pataniscas de bacalhau. Aliás, demorei a gostar de as comer e demorei mais ainda a atrever-me a fazê-las. Nos últimos tempos ela pede amiúde que as faça e o treino leva a uma certa sabedoria. Já sei o truque. Já as faço como a minha mãe: tudo a olho. Sentindo o polme, a temperatura do óleo, as lascas grandes do bacalhau. E o que mais gosto é de a sentir nas costas a roubar uma e outra e eu a fazer de conta que não vejo.
Subscrever:
Mensagens (Atom)




