quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Ainda sobre a Sita Valles
Hoje, após ter dormido sobre o assunto, e com as ideias mais alinhadas (demoro o meu tempo, daí o nome deste blog), apetece-me falar (leia-se 'escrever') sobre Sita Valles e a forma como ela viveu a curta mas intensa vida. Mulher bela (creio que isso nem sempre jogou a seu favor), com ideias vincadas sobre o que gostaria para a sociedade em que se inseria sentimos que se fosse largada no meio do mato seria uma Che Guevara. O que a vida dela tem de mais interessante não é, para mim, as suas ideias politicas, ou as suas convicções a roçarem o fanatismo, ou a sua inteligencia acutilante, ou a forma como viveu os seus amores ou a liberdade de que era feita. Para mim, o que a vida dela tem de mais interessante é que espelha a sociedade, os terrores e desamores do poder, a fruta podre de alguma política, os medos de governantes e de como tudo isto, visto à lupa da sua vida, é tudo tão fragil e tudo tão doloroso. Atraves da sua vida, vemos a vida de outros. Atraves da sua força vemos a cobardia de outrem. Sobressai da vida dela o amor de sua mãe, o desfalecimento lento do seu pai e, acima de tudo, o desrespeito pela vida humana, no caso do seu irmão, por governantes angolanos. Na escala de valores, a vida é mais ou menos preciosa dependendo do país onde nos encontramos. E em alguns sitios mata-se assim, num ápice, sem demoras e vai-se para casa jantar sem problema algum. E isto, não se passou na Idade Média. Isto passou-se há 30 anos. Apenas há trinta anos. E após 30 anos, parte desta história continua surda e muda. Sem respostas. Tenta-se colocar uma pedra sobre o assunto, da mesma forma que se colocou sobre o sitio onde Sita e seu irmão foram fuzilados e enterrados.
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A Frida está mesmo enfeitiçada com essa leitura...
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