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sábado, 11 de setembro de 2010

Loboseiro para o 'meu' leitor

Pediram-me para falar do vinho douriense Loboseiro. Para mim é sempre um prazer falar de qualquer vinho principalmente se for um vinho do Douro.

Só posso falar de Loboseiro tinto, pois o branco, embora tenha boas referências, nunca o provei.
Loboseiro é um vinho esquivo, no sentido em que é difícil encontrá-lo. Se for às grandes superfícies, reze antes e mesmo assim apenas poderá ter sorte no Corte Inglês. Mas mais para o fim dir-lhe-ei como obter tão delicioso néctar.
Este vinho é produzido através das castas roriz, touriga franca e touriga nacional. Depois, possui a ajudá-lo o terreno xistoso, as encostas ensolaradas e a sabedoria da família Valle. É um excelente vinho e este, em especial, faz uso da sabedoria popular que diz que o que é bom é raro. A produção é escassa, não mais que 8000 mil litros para muitos mais apreciadores. Temos aqui o motivo de ele ser tão raro. Mas a família não pretende aumentar a produção, o que me parece muito bem. A ideia é manter a produção ex aequo com a qualidade. Na nota de prova diz: o vinho apresenta um aspecto límpido com cor ruby intensa. No nariz apresenta aromas de fruta vermelha madura com notas de couro, fumo e cacau provenientes do estágio em barricas. Na boca confirma-se a fruta bem envolvida com as notas da madeira, com uma acidez bem equilibrada tornando o vinho elegante a apetecível. Mas ligo muito pouco às notas de prova, porque elas são tão sectárias nos aromas e sabores que, para mim, o que vale é o todo, o sabor por inteiro. Vale aquilo que o vinho nos proporciona na nossa boca. E isso é muito subjectivo, depende do que comemos, do nosso único e insubstituível paladar e, posso ir mais longe, muitas vezes um vinho até depende do nosso estado de espírito. Este, em especial, é denso, forte, consistente e encorpado, tudo qualidades que aprecio num tintinho. Estão lá as frutas vermelhas, mas depois de o bebermos, acaba por nos proporciona muito mais. É como se no preciso momento em que escorrega na boca tomasse conta de nós. Faz o percurso até ao estômago dando a impressão que vai para a cabeça. É um vinho que merece ser apreciado com tempo, numa explosão de sensações. Nunca à pressa entre um almoço e um jantar. Do que não gosto? Sou mulher, não gosto da estética do rótulo. Mas isso, isso é coisa que passa ao primeiro gole.
Para o encontrarem podem mandar e-mail a perguntar em que garrafeiras  se vende ou pedir que o enviem para determinada morada através do produtor para -  produtor@loboseiro.pt ou então, que tal falar com o Eduardo Valle? Do lado de lá do telemóvel encontrará uma voz simpática e pronto a ajudá-lo na busca - Eduardo Valle 934 888 838. Em Lisboa pode adquiri-lo na Agrovinhos e na garrafeira Napoleão.
De resto, bebam este ou outro vinho desde que seja nacional.

3 comentários:

  1. Diz a autora: Do que não gosto? Sou mulher, não gosto da estética do rótulo.

    O que tem a estética ou o design de um rótulo a ver com o facto de ser mulher? Acaso o género condiciona a sensibilidade estética ? Porque não afirmou apenas: não gosto da estética do rótulo.

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  2. Eu adoro o vinho, eu quando bebi loboseiro tinto pela primeira vez foi em lamego. Adorei, foi um prazer incrível, é vinho somptouso au peladar...
    E tão bom....

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  3. loboseiro tinto é tão bom...
    E um vinho incível....

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