As vindimas estão à porta. Nas ruas, começa uma azáfama concertada. Há no ar a adrenalina de toda uma região nas vésperas das vindimas. Foi todo um ano, todo um esforço único de 12 meses que acabam agora, que é como quem diz, dá seus frutos agora. Há um primor na feitura de um bom vinho que desde sempre me encantou. Não estarei nas vindimas, mas os anos que nelas mergulhei fazem com que, mesmo à distância, sinta o cheiro, o mosto nas mãos, as tesouras imundas, as canções, a alegria de um bacalhau cozido com batatas em plenos socalcos. Talvez por isto, não haja para mim, nenhum vinho melhor que o do Douro (embora tenha de confessar que a tentativa dos meus amigos de me fazerem ver que há bons vinhos no Ribatejo e Alentejo esteja a dar frutos, mas jamais admitirei). Quando bebo vinho do Douro, naquele copo e na minha boca fica o sabor de uma terra, a ternura das minhas gentes, a imensidão de uma paisagem única. « Não desejo ao meu maior inimigo a incapacidade expressiva que se apodera de mim diante de certas paisagens do mundo. Quero e não posso ir mais além dum inibido deslumbramento», escreveu Miguel Torga no seu diário, quando se referia ao Douro.

Bom dia
ResponderEliminarSou emigrante no Luxemburgo e cheguei ao seu blogue através das minha irmã mais velha que é médica no Alandroal e foi colega de faculdade da Sita Valles. Mas a razão porque lhe escrevo é outra. Há dias numa visita com a família aos arredores de Lisboa almocei num restaurante do guincho e bebi um vinho do Douro chamado Loboseiro.A minha mulher é francesa e gostou imenso. Tenho procurado o vinho por todo o lado mas não consigo encontrar. Fui ao Corte Inglês no Porto mas estava esgotado. Como vive no Douro e gosta de vinhos poderia por favor dizer-me algo sobre este vinho e onde o posso adquirir. Bem haja.
Carissimo, vou escrever um post sobre este vinho que tanto gosta. Espero, com ele, ajudá-lo. Obrigada por me ler. Espero continuar a merecer a sua leitura.
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