Páginas
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Biografias
Gosto delas. Se calhar porque sou curiosa. Ou talvez porque na vida inscrita de algumas pessoas conseguimos descortinar-nos. Ou revermo-nos. Ou simplesmente saber aquilo que queremos. As biografias estão no topo do género de literatura que eu mais gosto. Em tempos atribui o gosto por ser mulher, mulher esta que me pelo por uma boa historia 'com gente dentro'. Gostava de escrever biografias. Gostava de conseguir fazê-lo amiúde. Gosto de descortinar vidas e sinto sempre que descortino a minha no preciso tempo que descortino outrem. Mas nunca, nunca comprei biografias escritas pela própria pessoa. Achei sempre que precisamos de algum distanciamento de nós próprios para nos conseguirmos ler. Escrevermo-nos. É difícil ceder à tentação de mostrar um ou outro aspecto da nossa vida que achemos mais interessante. Não forçosamente qualidades porque há defeitos que encantam. E dito isto, pela primeira vez dei por mim a calcorrear Lisboa e arredores atrás da biografia de Mandela escrita pelo próprio. Se calhar, porque nele revejo a capacidade de se expor sem dó nem piedade. Ou se calhar porque eu não quero perder a oportunidade de saber como é que ele se vê a si próprio. As convicções são assim: caem com a idade. As minhas estão todas a ir ao charco, uma a uma.
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Pois é minha amiga,estamos todos cheios de certezas e de respostas para tudo e depois vem a vida e muda as perguntas....
ResponderEliminarJMC.
É verdade, mas tudo isto é sinal que estamos a crescer, amadurecer, envelhecer e a conseguir aceitar a mudança que a vida, ou as perguntas nos impõe.
ResponderEliminar