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quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O presépio

O presépio dos meus pais é, certamente, o presépio mais completo que existe. E também será o mais sui generis. Desde que eu e o meu irmão nascemos que, todos os anos, antes de se ir ao musgo para se fazer o presépio, íamos com minha mãe à feira e comprávamos uma figura nova. Ora era uma ovelha, ora era uma casa, ou um cão, ou um músico. Sim, o presépio da minha mãe tem uma banda, tipo fanfarra, a tocar para o Menino Jesus. Ao longo dos anos cresceu na medida em que nós crescíamos. Nunca percebi o quanto isso me tocou até agora, este ano. Após ter a minha filha resolvi ir com ela comprar uma figura para fazermos o nosso primeiro presépio em conjunto. Quero todos os anos comprar uma e outra figura com ela. Nunca mais tinha pensado nisso até hoje. Fiquei muda. A ternura com que os pequenos nadas dos nossos pais passam para nós. Muitas vezes nem nos apercebemos que naquele momento uma centelha de vida está a ser colocada no nosso coração.
Quero colocar uma centelha de vida no coração da minha filha. Uma e outra e outra e assim, sucessivamente pela vida fora.

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