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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

o mimo nos amores certos

O meu pai é, certamente, a pessoa que amo com quem travei os maiores conflitos da minha vida. Os meus amores eram desamores para ele, as minhas saídas eram esperas para ele, a minha crónica independência era uma cronica preocupação para ele, as minhas certezas eram dúvidas para ele e as minhas opções não eram opções que ele gostasse. E foi num perfeito desalinho que fomos crescendo, eu como filha e ele como pai, falando sempre mais alto o nosso amor e, creio, a paciência dele. Hoje estamos numa sintonia quase perfeita. Alimentamos a nossa relação baseada em (algum, talvez) orgulho dele para comigo e ternura de mim para com ele. Na segunda feira chegou a casa um livro que meu pai me enviou. Não tinha embrulho nem dedicatória. Era só o livro como se o mesmo falasse por si. E falava. Era um livro de doçaria. Chorei. Há pouca gente que me surpreenda positivamente, pouca. É bom quando uma dessas pessoas é o pai.

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