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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Ora bem, vamos lá expor a minha vida

O fim de semana foi de clausura total. Filha doente e eu estrebuchava entre termómetros, bem-u-ron e, quando ela adormecia, metia-me a pastar no sofá de tão cansada. Foi nesses momentos descanso-cansada, que me dei ao trabalho de ir ao facebook e deparei-me com um amigo, que não é bem amigo, mas sim amigo facebookiano que estava num profundo desabafo com, imagine-se, 588 amigos. Dizia num post: «oito anos de merda que acabaram hoje», não fosse não entendermos o que ele queria dizer colocou noutro post «Oito anos de uma relação que se transformou em tempo perdido», e continuou noutro post «Vale mais só que mal acompanhado» e eu comecei a ler aquilo como se de um romance se tratasse. Fiquei ali à espera que a raiva dele lhe desse para debitar mais e mais e assim foi. Relatou como gostou dela e ela não o mereceu nunca, que ela era pouco inteligente, que fez isto e aquilo por ela e que agora, finalmente, acordou de oito anos de pesadelo. Entre o meu espanto pela exposição lá ia lendo o que dizia e reparei que ninguém, em absoluto, comentava nada. Devíamos de estar todos curiosos, olhando para aquela exposição de raiva e dor que não amainava com os desabafos. A dada altura um amigo, dos verdadeiros, disse: «P, não é sítio para este tipo de comentários» e o P calou-se. Eu faria o mesmo por uma amiga. Entendi que lhe tivessem alertado, embora quisesse saber mais. Mas questionei como é que alguém, que está a entrar nos ‘entas’ pode ter estes esgares de loucura, de acesas mostras de falta de decoro por ele próprio e por alguém que, bem ou mal, fez parte da sua vida durante oito anos. A forma como algumas pessoas se expõe deixa-me estupefata. Ainda sobre este tema, lembrei-me do filme baseado na vida da Bruna Sufistinha (pseudónimo) de Raquel Pacheco, ex-prostituta que relatava num blog a sua vida com os seus clientes. E esta dizia que a dada sentiu necessidade de relatar aquilo que era, também, uma vida real. E parece-me que estamos pejados de gente que gosta de relatar aquilo que é a sua vida real. E eu fico sempre estupefata quando vejo a facilidade com que as pessoas se expõem, sempre, seja em blogs, no face, ou até mesmo à mesa de um café.

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