quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
hospitais públicos
Na segunda, após a minha corridinha que tão bem me soube, cheguei a casa a pensar que tinha umas lulas estufadas à espera e vejo o cozinheiro de serviço, meu irmão, desesperado com dores de ouvido. Preocupei-me, porque estava desfigurado do inchaço que tinha na face e o olhar esgazeado de quem está a sofrer demais. Insisti para irmos ao São Francisco Xavier e assim foi. Chegamos e antes de tudo toca a desembolsar 20 euritos. Depois vem a triagem e a pulseira no pulso. Sentamo-nos à espera numa sala cheia. Ao meu lado um senhor de bastante idade que a dada altura desabafa: ‘Já cá estou há oito horas e meia’. Olhei-o bem nos olhos a ver se o senhor estava a brincar. Não estava. Dizia que à dor que sentia no peito juntou-se duas outras: do estomago da fome e das pernas. Passou-se uma hora. A sala nem enchia nem esvaziava. Quando olhei para o meu irmão e o vi com esgar de dor, levantei-me e fui falar com o senhor da triagem. Nada podia fazer. Tem de aguardar. O ouvido rebentou. Um líquido mal cheiroso começou a sair-lhe. Voltei a ir falar com o senhor. Toca a esperar. Ao fim de duas horas consegui convencê-lo a irmos a um hospital privado Ele queria os seus 20 euros de volta uma vez que não foi tratado. Não lhe deram, claro. Mais tarde fiquei feliz por saber que a divida da saúde está a ser colmatada. Eles sabem o que fazem. 20 euros de bónus de quando em vez deve surtir efeitos. Fomos ao hospital da Cuf Descobertas. Chegamos lá e estavam, certamente, o dobro, senão o triplo, das pessoas do São Francisco. Aqui não se paga antes do serviço. Aqui paga-se no fim, como seria expectável. Ao fim de 40 minutos estávamos a sair. Uma otite gigante, foi o diagnóstico. O médico passou-lhe a medicação, deu-lhe as sugestões e disse-lhe para voltar caso não melhorasse ao fim de dois dias. Pagamos 26 euritos que não nos custou como os 20 no HSFX. Fui para casa e deitei-me a pensar no senhor que lá estava há 8 horas. Será que já estava no quente da sua cama? Que pode acontecer num hospital, num dia normal, para um utente esperar 8 horas para ser atendido? São perguntas que ficaram sem resposta. Apenas ignoro se este é um país terceiro mundista ou não!
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