Eu e a E
começamos o dia a ver que tempo está em Praga, como se já lá estivéssemos. E
vemos que tempo vai estar quando lá estivermos. E vemos que tempo estará cá
quando estivermos em Praga, para sabermos o que os nossos vão suportar. Para compararmos.
Depois decidimos e mudamos e confirmamos e alteramos a mala. Casaco mais quente
ou mais leve? Leggings com meias por dentro? Botas ou ténis? E mala ou mochila?
Quem leva secador de cabelo? E ela diz que não posso esquecer-me dos meus
quilos de medicamentos. E eu digo-lhe que não, que não esqueço. E ela quer
comprar barrinhas de cereais. Pergunta dos que gosto. É-me indiferente. Tiramos
fotos aos nossos filhos com o telemóvel para os levarmos perto de nós. Vamos
deambulando naquilo que é a pré-viagem. Isto já é parte do gozo. Quem há muito
não faz uma viagem fica neste frenesim difícil de outros suportarem. Parecemos
um tanto ou quanto bimbas. E se calhar somos. Somos umas bimbas felizes ante a
expectativa de uma viagem que acalentamos há muito. Somos bimbas na nossa
felicidade. E acima de tudo, somos umas bimbas que estão de bem com a vida.
Cada vez há menos bimbas como nós.
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