Hoje relia a vida da Florbela Espanca que que vem na revista
do Expresso. Ainda mexeu um pouco. Ainda estremeci porque aquilo que ela
escreveu era fruto de uma alma torturada. E as almas torturadas reconhecem-se.
Mas hoje, estou outra, a alegria sobrepõem-se às fases mais negras (embora
sempre mais produtivas). Hoje sou mais feliz. Hoje sou mais velha. Hoje sou
mais madura. Hoje sou outra, embora saiba que existe algures, escondida, uma
tristeza que tento sufocar com algum riso e muito amor.
terça-feira, 6 de março de 2012
Florbela Espanca
Era ainda uma adolescente, e isso talvez explique o facto,
quando me apaixonei perdidamente pela Florbela Espanca. Foi uma fase de grande introspeção
e até de alguma dor. Lia e relia os seus poemas. Marcava as páginas e com lápis
sublinhava frases e frases que me faziam sentido e me faziam escorrer em sangue. Essa fase veio em conjunto com a
fase Maria Bethania. Ouvia-a a uma e lia a outra. Um conjunto quase mortífero. Fechada
no quarto, via o negrume da vida nas quatro paredes. Não sabia, na altura, que
elas não ajudariam mas aniquilariam, ainda mais, a minha já ténue alegria. Sobrevivi-lhes
quando o meu pai guardou bem longe de mim os poemas de uma e os LP’s da outra (devolveu-me
quando fiz 30 anos).
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