Tenho fascínio por tudo o que é real ou tudo o que parte da
vida real. Entre um romance ficcionado e um real, vou para o real; entre um
ensaio e uma biografia, vou para a biografia e se no écran, antes do início
efetivo do filme aparecem as palavras mágicas: baseado em factos reais, e logo
a minha atenção sob para estratos inimagináveis. E este filme, baseado em factos
verídicos, e que está a ter um sucesso retumbante em França, merece de cada um
de nós a nossa maior atenção. É mais que um filme de uma relação de amizade improvável.
É a luta pela dignidade de um homem que só mexe do pescoço para cima e de um
outro homem que nunca teve alguém que tenha acreditado nele. Depois um é rico o
outro pobre. Depois um não tem saúde e o outro tem-na toda. O filme pode ser
visto de inúmeros primas, desde políticos ou sociais, mas aquilo que mais me
encantou foi o facto de ali não caber a pena, a comiseração. É a luta de um tetraplégico
pela sua dignidade e a sua busca por alguém que olhe para ele para além da sua deficiência.
E consegue. E conseguimos. E o filme, com tudo o que tem para ser triste, é de uma
alegria contagiante. E eu ainda tenho gravada na memória a cena em que ambos
vão para o parapente sob a voz da Nina Simone. Queria que o filme ficasse ali.
Que a cena fosse filmada por longos minutos. Dos filmes que valem a pena ver. Das vidas que são bem vividas. Dos
encontros mágicos que o universo proporciona.
Apresento-vos os reais protagonistas:




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