Andei angustiada dias e dias.
Saber que a ia entrevistar deixou-me assim. Por um lado, fazer entrevistas é o
que mais gosto; pelo outro é o trabalho que mais me desgasta, mais me
esvazia, mais me consome, que mais me exige. E ela chegou perturbada com uma
multa, uma maldade ainda fresca e eu pensei que não a ia conseguir, que a
perdera. Mas não perdi. Ficamos ali, a tecer vidas, a ouvir como o medo nos
pode paralisar, mas também como o mesmo medo pode ser a combustão para
seguirmos em frente. Ela, uma mulher bonita; eu, aquela que ‘tem uns lindos
óculos’. No fim, pedi-lhe para assinar o meu catálogo da sua exposição.
Assinou. Deu-me e disse ‘gostei muito’. Por hoje chegou. E foi bom.
| A data está errada, mas tudo o resto está perfeito |
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