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segunda-feira, 30 de março de 2015

A quaresma dos sentidos

Parei. Há alturas em que temos de parar. Parei. Esta semana parei. Tenho tido dias tão bons e tão maus que me esgotei nas soluções que fui arranjando aos tropeções. É preciso parar. Parei. Às vezes a solução é simples: parar. Olhar com um olhar mais descansado para os problemas. Vê-los de outra forma, sem o cansaço dos dias, o corpo espartilhado do inverno, as mãos doridas de dor e a cabeça cansada de tanta coisa e coisinha por que teve de passar. Tirar férias para unicamente descansar a mona. Cuidar da cria. Lambe-la até mais não e estar atenta a este crescimento que estando diante dos meus olhos muitas vezes se me escapa. Os putos crescem acima de tudo quando não olhamos. De cada vez que vou à cozinha e ela fica na sala, a miúda dá um pulo de crescida. Na sexta foi ao cinema com a tia do coração. Saiu de casa e era uma e entrou outra, mais crescida, enebridada com o filme, a contar pormenores e com palavras que nunca lhe tinha ouvido. Pronto, eles crescem no intervalo do nosso olhar. E às vezes andamos tão a mil que nem paramos para ver com olhos de ver. Parar. É importante parar. Ir para a floresta como a minha amiga Marta foi e parar. Chorar se for preciso. Ficarmos a sós. Esta semana resolvi fazer isso. Um género de quaresma dos sentidos.

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