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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Das palavras
Às vezes apaixono-me por algumas palavras. A sonoridade entra em mim e depois digo-as amiúde. Acabo por, de tanto as usar, passar a ter para com elas uma relação mais calma. E outras vezes o uso de uma palavra morre à boca de outra. A este propósito lembro-me de um livro que comprei apenas porque gostei do título. Tratava-se do Inquietude de William Boyd. Lembro-me da estante onde o livro estava e lembro-me que ia com a E. Disse-lhe: olha que palavra bonita! E repetia para mim mesma: inquietude, inquietude, inquietude. Comprei e gostei do livro. Mas era indiferente gostar ou não, porque aquela palavra ali, escarrapachada na capa do livro era suficiente para o adquirir. Isto vem a propósito de, por vezes, como agora acontece, estar 10, 15, 30 minutos parada numa frase, à procura da palavra certa para continuar a escrever. Sem ela não consigo ir mais à frente. E fico ali (aqui), com o cursor a piscar sem nada escrever. Empanquei na entrevista que edito. Empanquei e agora? Agora falta-me uma palavra, aquela palavra que não me surge. Busco-a.
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