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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

São loucas, estas mulheres!

A mulher é louca varrida. Louca. Louca. Parece a popota e usa grandes (pequenas, digo) minissaias, decotes, vê-se amiúde as cuecas, usa brincos e anéis lindíssimos e gigantes. Usa gorros que mais parecem para um circo e fala muito alto. Veste-se de cores garridas e é muito direta no quanto gosta do sexo oposto. Lê muito e fala mais ainda. É culta. Laivos de menina rica. Vai ter um neto. Fez mantas de crochet. Não consegue estar quieta e quando o marido a trocou por outra bem mais contida e nova, nem pensou duas vezes em tentar atropelar a moça. É louca, dizia eu, no entanto, das vezes que falei com ela derreti-me. Vi ali muita solidão. Vi ali uma mulher que tenta fazer das suas fragilidades as suas forças. Se consegue ou não, não sei. Sei que passa por louca, mas para mim não passa de uma mulher que sabe do que gosta, que assume e que sabe que neste mundo o lugar de uma feminista ainda é um lugar perigoso. E é um pouco louca. Sim, é um pouco louca, mas eu gosto (acabei de estar com ela e a sua conversa alimentou-me, mas ainda me doem os olhos da cor de laranja com que vinha vestida).

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