sábado, 18 de fevereiro de 2012
Esta Síria que mata
Esperei, combatendo o sono, pelo documentário sobre o regime totalitário da Síria. Há muito que o mundo árabe me encanta. Encanta não no sentido de admiração, mas de espanto. Não sou naife ao ponto de achar que os nossos valores ocidentais são impolutos. Temos a nossa cota parte de pecado neste mundo, mas por termos valores tão distintos, espanta-me (novamente a palavra) o pouco valor que a vida humana tem em alguns países árabes. Depois, há um ano que vejo o efeito dominó no derrube às ditaduras que vão desde Egipto e que acabou por contaminar (ainda bem) os países fronteiriços. Daí até ao que se passa na Síria foi um pulinho. Fiquei a ver. Fiquei atenta a tentar perceber como é que o Ocidente, em especial a França dos últimos anos, ajudou a que o assassino do Bashar se mantivesse no poder. De que forma se acham os políticos ocidentais mais espertos e capazes de fazerem o seu teatro de fantoches, e depois deparam-se com a sua imprudência? Fiquei a ver e embora com o coração apertado pelo povo da Síria que vêm seu sangue correr pelas estradas e que continuam em frente. Fiquei a ver homens, mulheres e crianças a sairem com a única arma - a palavra - em riste. Fiquei a ver e vou-me deitar mais aliviada porque é notório que o regime totalitário ainda vai matar alguns, mas não tardará a cair no charco, sem louvor ou glória. Não tardará, minha gente. Não tardará. Admiro todo o povo que enfrenta a morte por uma paz para as gerações vindouras. Admiro tanto quanto abomino quem mata apenas por sede de poder. Apenas. ´Mas não tardará.
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