Era dia 1 de Abril de 2007, mas não era mentira. Levava um envelope fechado a uma médica reumatologista porque, imagine-se, estáva com dores num dedo e o médico da medicina do trabalho tinha escrito uma carta para ela. Ria-me do assunto e não queria ir. Fui semi obrigada. Achei ridiculo uma mulher com 1,74 cm queixar-se de 12cm e achei que a médica me iria perguntar se eu achava que ela não tinha mais nada para fazer. Não foi nada disto que aconteceu. Ela olhou-me, viu os exames e disse de uma forma seca: tem artrite reumatoide sem qualquer dúvida, sabe do que se trata?
Eu acho que disse que sim, que sabia, mas devo ter dito de forma tão pouco convincente que ela continuou: parece-me uma pessoa diferenciada e como tal sugiro que veja na net, que coloque em imagens, que leia tudo o que por lá relatam. É uma doença tramada mas estarei aqui para minimizar os efeitos dela.
Foi um género de bofetada. Levantei-me meia zonza e ainda a ouvi dizer: não tem cura.
Fui à net. Vi. Chorei. Cheguei a casa banhada em lágrimas. Tinha-me casado há pouco e agarrei-me ao meu marido e gritei-lhe que devia ter pensado melhor quando casou comigo. Estáva completamente descontrolada. Já tinha uma saúde tão fragil que dispensava mais uma doença. Não exagero se disser que devo ter chorado durante horas e adormeci. O dia 2 de Abril de 2007 acordei e ouvi ao longe o som de um barco a entrar no estaleiro do tejo. Lembro-me disso na perfeição. Imaginei-o a tentar ir firme dentro de um nevoeiro cerrado. Ouvia-o num som nervoso e jurei a mim mesma que eu não ia ser um navio nervoso a andar, temerosamente, rio acima. Nunca mais voltei a chorar por causa da minha artrite reumatoide. Nunca mais. Tomo medicação. Uns dias ando melhor, noutros pior. Nuns nem me lembro que a tenho, noutros nem me consigo esquecer por segundos. E passados cinco anos sei, porque sei, que posso vir a chorar por muitas coisas, mas nunca mais chorarei pelos ossos que se me encolhem de dia para dia, pela sensação de inchaço constante nas articulações, pelo calor que imana dos meus membros. Nunca mais. Pode não ter cura, mas de certa forma sinto que a venci. Venci-a na minha cabeça e acho que já foi uma grande vitória.

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