Ele explica
como conheceu o Leonard, naquela primeira vez em que foi a casa da sua amiga
(filha de Cohen e hoje a mãe da sua filha) e Leonard tomava café de boxers na
cozinha. E com um humor curioso, explicava o choque que é ver alguém que nos
habitamos a ver sempre impecavelmente vestido, com os melhores fatos Armani, de
cuecas a tomar café. E depois cantava Cohen com aquela voz meio arrastada e tão
característica que ele tem. Gostei e fiquei curiosa e fui em busca dele. Nunca
mais me desliguei da sua música, do seu balanço e até da sua forma de ser tão
curiosa. Ir ao Coliseu vê-lo transformou-se no pico da minha semana. Andava
quase a roçar o histerismo. E, não obstante de uma sala com demasiados lugares
vazios, ele chegou e desde a primeira música (vamos mais longe) desde o
primeiro segundo em que, à capela, ele enche o coliseu com a sua voz, que me
arrepiei para nunca mais deixar de o estar, enquanto o concerto durou. E ele
foi mágico. Muito cheio de trejeitos maricas, mas que lhe ficam tão bem, cheio
de humor (muito mesmo), a coordenar a banda de forma magistral, ele conseguiu
fazer-nos felizes. E a dada altura olhava para o lado e via o sorriso na cara
das pessoas, os olhos a brilharem e quando se tem dúvidas acerca da importância
da cultura na vida das pessoas, a verdade é que em momentos de crise como esta
em que atravessamos, em momentos em que temos a vida embrulhada, a musica, a
arte, a fotografia, a dança pode restabelecer-nos de animo, de entusiasmo, e de
força para o embate duro do futuro que começa agora. A cultura é fundamental. E
se os custos são elevados, temos de ver que por si só pode poupar muitas idas
ao psiquiatra ou em tomas de zoloft ou valium.

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