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segunda-feira, 4 de junho de 2012

Volto a sair quando fizer uma plástica, uma lipoaspiração e quem sabe uma lobotomia


Ele é um tipo muito alto e meio desengonçado. Educado e contido, há no seu olhar qualquer coisa que nos escapa. Algo que toca a insanidade. Quem o conhece sabe que, nos idos anos 80, andou de mãos dadas com a droga, aquela maluca que o deixou insano enquanto levava muitos dos seus amigos. E ele, passado 20 anos, com uma reforma antecipada por danos cerebrais, ainda hoje jura que, numa noite, nos finais dos anos 80, viu o pato Donald na praia de Paço de Arcos.  

Retenham esta história que já volto a ela daqui a pouco.

Sábado foi dia de jantar de aniversário de uma amiga. Devia ter ficado em casa se soubesse os danos psicológicos que aquela noite iria produzir na minha pessoa, mas não sabia e, como tal, lá fui. Arranjei-me como uma mulher de 40 anos tem de se arranjar. Coisa que já leva algum tempo…

A ideia do jantar-surpresa foi do namorado dessa minha amiga (um grande amigo meu) que entendeu reunir todas as suas amigas dos mais variados quadrantes para depois estarmos todas à espera dela e tchan, ela chegava e chorava e abraçava-nos a todas, dizíamos coisas sentimentais umas às outras e coisa e tal. Uma ideia ótima. Perfeita, mesmo. Excelente até, mas para mim a coisa não correu lá muito bem. Chegada lá começo a vislumbrar a chegada das outras amigas que eu nunca vira. Conclusão, ao fim de mais de 20 meninas, percebi que eu era, de longe, a mais velha. A cota, portanto. E mais, não só eram jovens como também eram todas mulheres lindíssimas. Quase o paraíso para qualquer mente masculina que aprecie o género. Altas, elegantes, bem arranjadas, que me levou e enfiar-me na caipirosca em cheio. Mergulhei nela de cabeça. Vocês que me leem há algum tempo sabem que aprecio o género feminino arranjado. Gosto de as ver lindas, distintas e belas. Gosto, mas assim tão de perto é qualquer coisa que chega a machucar um pouquinho o nosso (o meu) ego. Mas o pior (melhor) estava para vir. Estava sentada quando vejo a entrar no restaurante uma mulher lindíssima, daquelas que ninguém consegue ficar indiferente. E voilá, a moça sentou-se ao meu lado. E querem saber o melhor? Não, não era burra, não, não era inculta, não, não era antipática e tinha um sentido de humor único. Tive vontade de a levar para casa e partilhar o meu sofá. Ela é uma mulher de que não podemos falar mal (bolas), não podemos esquecê-la, não podemos deixar de ter vontade de quase, quase, a pedir em casamento. E durante uma hora tinha a sensação que já a vira. Que a conhecia de algum lado. Mas de onde? Onde? Entretanto chega a aniversariante e parabéns, e beijos e abraços, e juras eternas de amizade (que ela bem merece) e mais mil ternuras e eu a pensar: mas de onde é que a conheço? E ela come e come e magra e magra que metia nojo. E linda. E perfeita e eu quase a dizer-lhe: sabe que é uma mulher lindíssima? quando alguém a chama e faz-se luz: Sofia. Sofia, ah, esta é a Sofia Ribeiro. Ó benza Deus, é a atriz que está ao meu lado! Ainda pensei pedir-lhe para tirar uma foto mas depois eu desaparecia ao seu lado. Sumia-me. E até ao fim do jantar foi muito bom ver que aquele estereótipo da mulher bonita, bem-feita é burra, caiu por terra diversas vezes durante aquele serão.

Por fim, meia anestesiada com tanta gente bonita e interessante dei um pulo ao bar onde estava o meu irmão. Entrei e deparei-me com o tal moço, hoje um homem feito, de que vos falava no princípio deste texto. E foi ele, aquele que jura que viu o pato Donald na praia de Paço de Arcos que me disse: você hoje está muito bonita.

Valha-nos isso! ( é melhor que nada)

2 comentários:

  1. Mas olha, o namorado dessa tua amiga (que sou eu) - e que gosto de ti para caraças - sei dizer e bem que também tu estavas bem bonita. E que de facto aquelas meninas eram bonitas, muitas delas inteligentes e TODAS boa gente.

    Sem dúvida que minha querida amiga, os anos passam por nós. Mas um homem maduro aprecia mais uma mulher com as típicas marcas que contam histórias do que silicone para aqui e botox para acoli.

    É certo que eram mais novas, logo mais joviais mas também por isso: com menos marcas. Cada uma com a sua beleza.

    Saibamos apreciar cada etapa das nossas vidas e saibam os outros olhar não só para fora de nós mas especialmente para dentro.

    E acredita: pelo menos por enquanto continuas bela em ambos os ângulos de análise. Acredito eu que sou teu amigo e que te adoro: que assim será para SEMPRE.

    Beijos.

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  2. Este teu comentário dava pano para mangas, mas isso vou deixar para as nossas conversas sempre tão gratificantes de quem, como eu, aprecia os homens com conteudo :) Mil beijos querido.

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