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quarta-feira, 29 de abril de 2015

o picha mole


Havia uma senhora que passava a vida a levar porrada do marido. E imbuídos no espirito de que 'entre marido e mulher não se mete a colher' todos continuavam a vida como se nada acontecesse até que um dia, um dia como outro qualquer, ele deu-lhe uma bofetada em público. Talvez que tenha sido até a bofetada mais leve que levou, mas tinha sido em publico, e ela não foi de modas: puxa o braço atrás e desata a bater-lhe como se descomprimisse de toda a raiva acumulada. Bateu uma e duas vezes e a malta estava espantada e nem reagiu. Apenas começaram a reagir à quarta ou quinta bofetada/murro. Ele quedou-se. Levou e calou. Diz-se que ele nunca mais lhe bateu. Também passou a ser chamado de 'picha mole' porque um homem que bate era um homenzarrão, mas um que leva é um 'picha mole'. Também nunca mais apareceu para jogar à bisca com os amigos e fazia o caminho de cabeça no chão. O picha mole não levou apenas bofetadas, levou com toda uma vergonha de ser vitima do seu próprio veneno. Soube que o picha mole morreu na semana passada. A chora-lo estava a sua esposa.

4 comentários:

  1. Infelizmente de pichas moles está o mundo cheio. Esse teve vergonha e não voltou a fazer...mas quantos há que continuam...enfim.M.

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  2. Quantas histórias terminam de forma tão diferente!

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  3. Oi Carla boa tarde,
    Ao tempo que não trocamos umas palavras, espero que esteja tudo bem consigo e sua princesinha.
    Este seu artigo é a prova provada dos homens que por aí há , uns cobardes ... uns fanfarrões. Houvesse mais mulheres como a da sua história e a violência doméstica, não digo que acaba-se, mas ia sem dúvida diminuir e muito.
    Mas no fim ela foi a única a chorá-lo... somos assim ...
    Agora vou contar-lhe uma história verdadeira que meu saudoso pai contava e que se passou em sua terra na Beira Alta, naturalmente que ele criança a ouvia dos mais velhos:
    Na terra havia um casal como muitos, ele era um dez reis de gente (pequeno e franzino) ela uma mulheraça alta e forte (mas tinha um senão usava óculos), todos os dias ele dizia "tira os óculos que eu quero te bater" e ela submissa acedia e apanhava e ponto. Até que um dia olhou para si própria viu-se como era, grande e forte e olhou para o seu homem pequeno e raquítico , quando ele lhe deu a famigerada ordem "tira os óculos que eu quero te bater" ela tirou os óculos , não fossem partir-se e deu-lhe a maior sova que já se tinha visto na aldeia, ninguém se meteu , continuaram casados e ele nunca mais se atreveu a levantar-lhe a mão.
    Meu pai onde está está com toda a certeza a soltar aquelas gargalhadas de homem bom que sempre foi e a filhota aqui ri-se orgulhando-se daquela mulher que fez história em sua aldeia.
    Beijos Carla

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